O sábio fala quando tem algo a dizer. O tolo, porque precisa falar.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Uruguay Trip 3

A última das noites bem dormidas se deu sem sabermos que a estávamos vivendo. Tanto que nem bola demos. De manhã cedo, acordamos e fomos tomar o café-da-manhã no hotel. Aliás, café-da-manhã do qual o Camilo já vinha fazendo propaganda há dias.

"Porque lá eles têm um cara só para fazer panquecas para você!" E de fato tinham, e o tal do panquequeiro, além de fazer o que o seu nome já diz, também preparava ótimos waffles no melhor estilo belga, com o recheio e a calda que você bem quisesse. Mais uma oportunidade não perdida para aumentar a barriga já cada vez maior.

Hernán, como um gentleman chileno que é, ao contrário do filho, comportou-se direitinho. Já o Camilo e eu, nós fomos à forra. O Camilo que o diga. Repetiu umas quinze vezes, o glutão!

Terminado o melhor café-da-manhã que teríamos nos próximos 15 dias, fomos os três pegar no pesado, como diria o meu pai, por mais que de pesado eu não tenha levantado nada, à exceção da máquina fotográfica.

Camilo e Hernán ficaram trabalhando em suas coisas enquanto eu ia batendo fotos, tanto do que tinham me pedido, quanto de outras coisas interessantes e desinteressantes que fui vendo.

Câmera dos Vereados de Pelotas no melhor estilo franchouillard
Câmara dos Vereadores de Pelotas no melhor estilo franchouillard
Pelotas, cidade de pessoas ou de vira-latas?
Pelotas, cidade de pessoas ou de vira-latas?

Mortos de fome e sujeitos à grandessíssima e variada criatividade de Camilón el Cabezón, fomos almoçar no restaurante do hotel. Lembro que pedi com o Hernán um macarrão ao alho e óleo, que estava bom.

Depois do almoço, já em clima de partida, nos despedimos do antepassado de todos os Gonzas e demos continuidade à UYtrip (para o Camilo foi como dar início, mas para mim tudo já estava contando como férias). Na saída de Pelotas, paramos em um posto de gasolina para abastecer o carro, verificar a água e o óleo. Com que nos deparamos? Com o nível do óleo abaixo do mínimo. Eis que mal sabíamos que a odisséia do óleo estava só no seu início.

O mistério do óleo do Gonza
O mistério do óleo do Gonza

Camilo e eu nos olhamos preocupados, indagamos por que cargas d'água o maldito óleo estava tão baixo. Não é preciso dizer que nem titubeamos em completar o reservatório com mais um litro. Antes de sair de Curitiba, o Camilo me disse que tinha trocado o óleo do carro e que o tinha deixado em ordem. No entanto, como tinha mexido no cabeçote havia poucos meses, me pediu para sempre estar de olho no nível do óleo. Eu, antes de sair, olhei em Curitiba e estava tudo em ordem. Durante a viagem, não vi. Mas também não ia esperar que o Gonza fosse perder um litro em meros 1.000km.

Pegamos novamente a BR116 rumo a Jaguarão, fronteira com o Uruguai. Mais umas 2h30 rodando e chegamos à zona fronteiriça. Passamos pela ponte por sobre o Rio Jaguarão e pisamos pela primeira vez, na nossa roadtrip, em terras uruguaias.

Ponte de Jaguarão
Ponte de Jaguarão

A euforia foi grande. Chegamos a duvidar por momentos que tínhamos realmente entrado no Uruguai. Ninguém tinha nos parado, nada tinha acontecido. Foram as placas em espanhol de free shop e dos carros que nos fizeram entender que finalmente estávamos na terra dos doces de leite.

Matricula uruguaya
Matrícula uruguaya

Mesmo tendo certeza que tínhamos cruzado a fronteira, continuamos sem entender nada. Onde estava a maldita aduana? Paramos e perguntamos. Já na primeira abordagem nos demos conta de quão diferentes são os uruguaios dos argentinos (sempre nosso parâmetro). Primeiro que já falam com você sorridentes. Te dão bom-dia, te explicam as coisas com calma, com amabilidade e não resmungam nem reclamam do presidente no meio da conversa. Depois, o trânsito: muito mais calmo, sem buzinaço, sem aquela muvuquice típica da Argentina. Em terceiro lugar, entre os uruguaios não há lugar para melodramas. Eles até podem não ser tão afeitos à comédia, mas tampouco são fãs de tragédia.

Descobrimos então que o complexo aduaneiro de Jaguarão/Río Branco/La Cuchilla ficava a uns 4km da fronteira. Estranho, mas é assim mesmo. Afinal de todos, somos todos hermanos latinoamericanos. Apesar de distante, o tal complexo é bem fácil de achar.

Aduana
Aduana

Descemos do carro com os passaportes, documento do carro e carta verde na mão e fizemos fila para "entrar" no Uruguai. Na nossa frente, uma família brasuguaia apresentando seus papéis. Mal chegamos já nos demos conta que de estava rolando uma treta. A inteligente da mulher estava tentando entrar no Uruguai com a carteirinha de natação do filho. Vê se pode uma coisa dessas? Carteirinha de natação? Já vi gente querendo entrar com CPF, com título de eleitor, com certificado de dispensa do serviço militar obrigatório, mas com carteirinha de natação ainda não tinha tido o privilégio. Uma cabeçuda essa mãe. Por sorte dela, quem teoricamente deveria ser o pai estava presente e era uruguaio. O fiscal da aduana, por então ser seu conterrâneo, acabou se apiedando da pobre e cabeçuda senhora e lhe permitiu a entrada, assim como a seu filho, não sem antes lhe dar aquele sermão! Deixo claro aqui que acho que o pai também deveria ter sido alvo das palavras do fiscal.

Chegada a nossa vez, como bons e não-amadores viajantes que somos, apresentamos devidamente todos os documentos, explicamos sem enrolação nosso motivo de entrada e fomos atendidos com primor pelo fiscal, que, por reconhecer uma semelhança entre nosso cucuruchón chileno e o ator global Thiago Rodrigues, simpatizou automaticamente conosco. De meros brasileiros entrando no Uruguai viramos o sósia do Thiago Rodrigues e seu amigo com sotaque forte. Melhor impossível.

Digam se não se parecem!
Digam se não se parecem!
E aqui a cópia mal lavada do global
E aqui a cópia mal lavada do global

Papo ia, papo vinha com nosso amigo da fronteira, vi que estava tomando mate. Fiz a ele duas perguntas: 1. onde podíamos trocar dinheiro?; 2. onde podíamos conseguir água quente para o nosso primeiro mate em terras uruguaias? Acabou que, enquanto fomos ao lugar que nos indicou para trocar dinheiro, ele ficou de esquentar água para nós. Fomos, trocamos dinheiro (o melhor câmbio do Uruguai, saibam, ficam nas regiões de fronteira; pagamos 10 pesos uruguaios para cada real que trocamos; em Montevideo, o melhor cambio que conseguimos foi 9,5) e voltamos. Nosso amigo, fã das telenovelas brasileiras, tinha na mão nossa garrafa térmica cheia de água quente para nosso primeiro mate.

Primeiro mate em terras uruguaias
Primeiro mate em terras uruguaias

Com mate sebado e em ritmo de festa, entramos no carro e seguimos pela Ruta 26 rumo a Tacuarembó. No caminho, nada além de vacas, vacas e mais vacas.

Chegamos em Tacuarembó comigo na boléia. Vinha que vinha pela UY que entrei na cidade sem prestar muito atenção. Sem querer cruzei um semáforo no vermelho e quase cometi o primeiro acidente automotivo da história de Tacuarembó, tamanha a pacaticidade da cidade. Teríamos entrado para os anais da história. Foi por pouco que o prefeito de lá não se viu obrigado a nos homenagear com uma estátua de bronze.

Pedindo informação na praça principal depois de quase ter causado o primeiro acidente de Tacuarembó
Pedindo informação na praça principal depois de quase ter causado o primeiro acidente de Tacuarembó

Depois de ter dado aquele rolezinho pela praça principal, nos hospedamos em um hotelzinho bem chinfrim. Quartinho de paredes caiadas, três camas, possível pulgueiro à vista (graças a Deus só possibilidade) e banheiro bem safado. Mas como quarto de hotel em viagem é mais para dormir que qualquer outra coisa, o espírito de contentamento foi geral.

Tacuarembó way of life
Tacuarembó way of life

Para jantar, procuramos uma parrilla tipicamente uruguaia, onde queríamos nos acabar de tanto comer. Eu, particularmente, queria matar as saudades dos 18 meses longe da minha tão querida Argentina. Sentei já seco e quase fui soltando aquele: troesma, un bife de chorizo, a punto, bien servido, y una prova como entrada. Para minha surpresa, e precaução, olhei primeiro o cardápio. Nada de bifes de chorizo! Tristeza não tem fim, felicidade sim. Mas não desanimei. Analisei o menu com cuidado de pedi uma pulpa de vacío, que imaginava ser o mais próximo dovacío maradonenho. E era. Camilonga do Cabuletê pediu um asado de tira, que mais parecia ter saído diretamente de uma costela de vaca!

Asado de tira
Asado de tira

Comemos que nem rei e, mesmo nos empanturrando, não conseguimos dar conta nem da metade do que tinham nos trazido. No Uruguai, as porções são super-hiper-ultra-megaservidas. Dá para um esfomeado como o Camilo se saciar, sobra para mim e se bobear ainda para alguma senhorita que coma como um passarinho.

Quando pedimos a conta, o garçom nos olhou desconfiado. Perguntou se não tínhamos gostado, já que deixamos quase tudo no prato. Tentamos lhe explicar que não, que tínhamos gostado mas que era muito. Ela não quis entender. Franziu o cenho, fechou a cara e não quis mais conversar. Trouxe a conta resmungando.

Do restaurante, não pudemos fazer outra coisa que nos arrastar até o hotel e cair nocauteados pela comilança.

Mais um dia rumo à grande pança.


Uruguay Trip 2

Copos de água antes de dormir e nada de ressaca, para felicidade de todos.

Na manhã do domingão, nos dedicamos todos a ficar no apê da Lorena morguando. Camilonga de la Croix inventou que tinha que trabalhar, e eu e a Lorena ficamos tentando aprender a jogar Mancala, cujo tabuleiro o Piper me deu de presente de fim de ano. Uma vez tendo aprendido a jogar, só levei surra da sua consorte.

Mancala - o meu é quase assim, mas um pouquinho mais portátil
Mancala - o meu é quase assim, mas um pouquinho mais portátil

Para o almoço, tínhamos combinado de comer no Al-Nur com a família González. Além de comida árabe da melhor qualidade, o restaurante ainda fica a duas quadras da casa da nossa anfitriã. Como não podia ter deixado de ser, foi uma chacina. Nos acabamos de tanto comer.

Por volta das 15h, nos despedimos do casal porto-alegrense e fomos a Canoas, onde rapidamente passamos pela casa da avó materna do Camilo e seguimos viagem (Camilo, Hernán e eu) para Pelotas.

Apesar de ser uma estrada cheia de caminhões, a viagem transcorreu em plena perfeição, com o Camilo na boléia, o Hernán se protegendo do sol com panos e o Gonza rolling like mousse.

Já em Pelotas, nos hospedamos no hotel em que comumente o Camilo fica (não lembro o nome, mas diz ele que é um dos melhores). Jantamos lá mesmo. O cardápio de massas era bem bom. Enquanto o Camilo e seu pai falavam de negócios, fiquei tomando suco de laranja e tentando entender um pouco mais sobre caminhões de coleta de resíduos, contêineres, como escolher os lugares para pôr os contêineres e toda a logística por detrás do processo. Por fim, me pediram uma mão para a manhã seguinte: bater umas fotos para eles.

Depois do jantar, o Gonzalinha e eu nos matamos nas partidinhas de Winning Eleven, das quais, confesso, não ganhei nenhuma (o que foi sumamente mudado na última sexta-feira). O ímpeto sucrilheiro de nossas pessoas não foi, porém, muito longe, já que ambos estávamos cansados e com sono.

Em resumo, o segundo dia de viagem foi um dia de comilança no café-da-manhã, na hora do almoço e no jantar. Não é à toa que voltei do Uruguai mais gordo. Por sorte que não fui o único, não é Camilo?




Uruguay Trip 1

De retorno da Uruguay Trip (UYtrip) e tendo tirado os últimos dias para resolver todas as burocracias pendentes, me ponho a escrevinhar o primeiro episódio da saga uruguaia de quinze dias.

A saída se deu na madrugada do sábado 20 de dezembro. Acordei já com sono e praguejando contra as cervejas que tinha tomado horas antes com a Paty Girl e o Rodrigo "Voborogoda" Werneck no Pudim e no Torto. Tomei um banho para acordar, preparei o meu café-da-manhã e cheguei à casa do Piper com 45 minutos de atraso, às 4h45.

Partindo na madruga
Partindo na madruga

Ajeitamos a sua bagagem no porta-mala do Gonza e fomos buscar sua tia no Boa Vista. Como eu resolvi ir pela BR116, combinei com ela de lhe dar uma carona até Lages.

Os três dentro do carro, disse ao Piper: "Prepara um mate aí, fio!" Com cuia e erva argentinas, sebó um chimarrão/mate uruguaio (no coração e na intenção) e fomos percorrendo as tantas subidas e descidas do trecho entre a Curitiba e Lages.

Mate
Mate

Tudo correndo normal, o mate rolando solto até que, de repente não mais que de repente, acende uma luzinha no painel do Gonza. Por o desenho se parecer às linhas de um cardiograma, me preocupei. Lembro que o Camilo me disse para, assim que acendesse, se acendesse, algo de diferente no painel, correr no manual e ver o que era. Pedi ao Piper para fazer isso. Qual foi o nosso espanto ao descobrirmos que a luzinha era da injeção eletrônica. Fiquei realmente preocupado. Na seqüência liguei para o Camilo e lhe contei o que estava acontecendo. Se sabia ou não do que estava falando, o fato é que disse para não me preocupar porque essa luzinha vivia acendendo. Uma coisa de mau contato. Me tranqüilizei.

Seguimos viagem.

Se às 5h30 já estávamos na estrada, por volta das 10h30 estacionamos o carro na frente da casa dos avôs do Piper, prontos para tomar um cafezinho com pão caseiro, queijo e marmelada.

Antes mesmo do almoço já fomos embora, retomando a estrada rumo a Porto Alegre. De Lages para Porto Alegre, tudo tranqüilo pela 116 e pela serra gaúcha. Aliás, ô lugarzinho bonito da porra!

O Gonza, nisso tudo, comportando-se perfeitamente. A luzinha de batimentos cardíacos do Gonza já tinha apagado, o motor ia roncando suave, pouquíssimos buracos na pista. Gonza like musse!

Na altura de São Leopoldo, o co-piloto Piper foi nos guiando pelo conurbano porto-alegrense. Camilo já estava ciente de que estávamos chegando, Lorena (a namo do Piper), que ia nos hospedar, também. Tudo nos conformes. Passamos São Leopoldo, passamos Sapucaia do Sul, passamos Esteio e, quando já estávamos por entrar em Canoas, bem em frente à entrada da universidade, diante de uma churrascaria com ares alemães, o Gonza pede água.

Estávamos já na BR/perimetral que corta toda a grande Porto Alegre. Paramos no semáforo e, quando vamos arrancar, piso na embreagem e ouço um clac. A embreagem do nada fica molenga e sem resistência. Pensei na hora: "Arrebentou o cabo da embreagem!" Detalhe: nesse momento preciso eu estava com o Camilo no telefone. Já no mesmo instante contei para ele o que tinha acontecido.

Cabo da embreagem arrebentado
Cabo da embreagem arrebentado

A minha primeira reação foi preocupar-me: "Puta merda, será que esse carro vai dar piti já no primeiro dia de viagem?" Mas logo, com o Piper do meu lado, tivemos que nos ocupar de tirar o carro da BR/rua e empurrá-lo para a calçada para não atrapalhar o trânsito.

Gonza avariado na calçada-acostamento em POA
Gonza avariado na calçada-acostamento em POA

No meio tempo, o Camilo, com toda sua agilidade de pacotilla galeteira, já foi procurando um mecânico disponível em plena tarde de sábado 20 de dezembro. Uma missão complicada.

Mas conseguiu. Menos de 20 minutos depois de o cabo ter arrebentado estavam ele e Hernán (pai do Camilo) conosco esperando o mecânico, que já estava a caminho.

A trupe na espera do mecânico
A trupe na espera do mecânico

Uma hora se passou e chegou o mecânico dirigindo um Fusca todo arrebentado. Enquanto vi no rosto do Camilo a preocupação, eu me aliviei. Se o cara consegue fazer um Fusca daquele andar, é porque ele é bom mecânico. Fora isso, quem já está acostumado a arrumar Fusca tira de letra qualquer outro problema de qualquer outro carro.

O mecânico, que por sorte tinha em casa um cabo de embreagem guardado (sujeito a encaixe ou não no modelo do Gonza), desceu do carro sem camisa, de havaianas e com um puta barrigão. Na mão, o famigerado cabo. Olhou a embreagem, abriu o capô e começou a dilacerar o Gonza.

O mecânico trocando o cabo da embreagem
O mecânico trocando o cabo da embreagem

Uma hora de trabalho depois, eis que nosso destemido herói das BRs e UYs se vê novamente tinindo e com a embreagem, que estava dura que nem pedra, macia como uma manteiga. Felicidade total de todos os telespectadores e viajantes da redondeza. Com tudo funcionando à perfeição, seguimos rumo ao hotel em que o Camilo estava hospedado, pegamos suas malas e fomos à casa da Lorena, que nos esperava com um cafezão da tarde de dar inveja: vários tipos de queijo, salames, pães, sucos, frutas e afins.

À noite, todos de banho tomado, fomos conhecer um bar de POA que não é lá muito bar. É um lugar que nem placa tem. Fica numa esquina (depois passo o endereço) e só entra quem é conhecido ou das atendentes ou do dono; caso contrário não entra. Aliás, o reconhecimento se faz de uma maneira muito cinematográfica. Você chega, bate na porta do bar, que está fechada, alguém vem, abre uma janelinha à la clube clandestino de pôquer, olha na tua cara, te cuida e tenta se lembrar de você. Lembrando, abre a porta. Não abrindo, simplesmente a fecha e nada de você poder entrar. Por sorte, como estávamos com uma amiga da Lorena que conhecia o pessoal do bar, entramos.

Lá dentro, um outro mundo. O bar é todo kitsch, minimamente decorado, desde a maçaneta até o teto (literalmente), e repleto de cervejas nacionais e importadas de todo o tipo, inclusive artesanais. Um charme só. E as cervejas... Ai as cervejas! Foi um desbunde.

No entanto, como tudo que é bom termina rápido, o bar fechas às 23h30 e de lá esticamos para a Cidade Baixa. Terminamos a noite todos meio zuretas de sono e com algumas cervejas no coco. Sorte que a puliça não sabia disso.

Jardinería en Curitiba

Aqui vai um texto, em espanhol, que publiquei no começo de maio na TVO-Peru sobre os parques de Curitiba:

Jardinería en Curitiba

Cuando uno piensa en jardines ingleses, bien diseñados, o en los japoneses, cuyo cuidado es milimétrico, hablar de jardinería puede ser placentero, porque hacerlo es hablar también de aquellas sociedades y de su cultura estética del esmero.

De ser así, se podría intentar interpretar los jardines de cada país como un reflejo de sus costumbres. Y como cada país tiene su cultura, cada uno tendría sus jardines propios.

Brasil tiene los suyos. Sin embargo, por ser un país-continente, no es cierto afirmar que tiene un tipo solamente. Tendrá muchos, que se distinguen por la vegetación de la zona y por la costumbre de la gente de la región.

Curitiba no huiría a esa regla. Incrustada en una meseta de una zona de clima subtropical húmedo, de floresta ombrófita mixta, está llena de pinos paraná y lapachos. A eso se agrega una política municipal de creación de áreas verdes disponibles a la población, resultando en una ciudad llena de parques, bosques, plazas arborizadas y jardines.

Los que se destacan por su jardinería (en el sentido más amplio) son el Jardín Botánico, la Plaza de Japón, Ópera de Alambre, Parque Tingui (Memorial Ucraniano), Bosque del Papa (Memorial de la Inmigración Polonesa), Bosque Alemán y el Parque Barigui.

Como ya se anuncia, los nombres de los parques reflejan una característica importante de la ciudad. Ella recibió muchos inmigrantes (alemanes, poloneses, ucranianos, sirios, libaneses, italianos, japoneses y portugueses) en la segunda mitad del siglo XIX e inicio del XX, y ellos trajeron su arquitectura, que fue adoptada, en su homenaje, en algunos parques y plazas. La Plaza de Japón, Parque Tingui, Bosque del Papa y Bosque Alemán son ejemplos.

Por otro lado, la política municipal de creación de áreas verdes mezcló a esos parques una arquitectura tubular, en una tentativa de aliar a la naturaleza rasgos de modernidad. Los resultados son la Ópera de Alambre, Jardín Botánico y partes de otros parques de la ciudad.

Uno de los sitios más impresionantes de la ciudad es la Universidad Libre del Medio Ambiente (Unilivre). Construida con troncos de árboles en la “boca” de una cantera, uno tiene acceso a Unilivre por un pasillo sobre el água en el medio del bosque.

En Curitiba, la alianza entre la utilización de las áreas verdes y tal arquitectura generó una jardinería especial, con muchos puntos verdes distribuidos por toda la ciudad, que proporciona el conforto necesario al ser humano para sentirse en casa cerca de la naturaleza.

Es cierto que en Curitiba no hay un impresionante jardín suspenso como lo de Babilonia, pero la ciudad ofrece al turista la oportunidad de conocer, por sus jardines, la gran mezcla que es Brasil.


E aqui está o link para ler o texto no próprio portal do TVO-Peru.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Bons Ares is back!

O bom filho à casa torna, senhores...



A quem possa interessar: a ideia é que o Bons Ares II seja um compilado geral de tudo o que escrevo por aí.


Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

Imigração

Numa prova de que um corpo pode estar em dois lugares ao mesmo tempo...

Bons Ares no Wordpress.

A mesinha do café

Toda vez que, no trabalho, levanto da minha mesa e vou até a mesinha do café e do chá, acabo dando uma olhada para fora pela janela. Vejo os bosques incrustados no meio dos bairros do Mossunguê, Barigui e Santo Inácio, avisto algumas casas perdidas, um ou outro pedestre caminhando. Na BR277, sempre movimentada, vejo carros indo e vindo. Indo e vindo.

Servindo-me um pouco de chá ou café, vai me dando uma vontade de ir e vir, assim como os carros. Melhor dizendo, de pegar o carro e ir para qualquer lugar e não vir mais tão cedo. É a vontade interminável de viajar, de pôr o pé no mundo. É o famoso bicho carpinteiro. É, em francês, o que costumam dizer le virus de la bougeotte. É aquela vontade de sentir o vento no cabelo, de sentar em uma parada de ônibus qualquer, no meio do nada, que por vezes é conhecido pela alcunha de mundo, onde nem Judas teve coragem de bater as botas, e deixar fluir a conversa com quem quer que seja: homem, mulher, idoso, criança ou cachorro (os vira-latas sempre são parceiros de espera em pontos longínquos).

Não havendo ninguém, fica-se tão-só a pensar.

É, ainda, aquela gana de se ver em um lugar tão desconhecido que não se sabe dizer se a “civilização” está para o norte ou para o sul. Um desejo de ficar ouvindo sotaques, dialetos e línguas diferentes, percebendo os trejeitos, vendo quais são as preocupações mundanas alheias – nessas horas, a única preocupação que se tem é seguir em frente, esperando que nenhuma preocupação mundana o acometa tão cedo. É ficar observando as pessoas e pensar que você não faz parte daquele lugar, mas que tampouco faz parte de lugar algum (viajar te transforma em placeless e worldful). É respirar aquela liberdade, única, que se sente ao estar em lugar completamente desconhecido. Criar raízes te dá estabilidade e faz você se determinar com base no outro (pessoas e coisas). Viajar faz você se determinar pela ausência e, por conseguinte, por você mesmo.

Nisso tudo penso antes de voltar à minha mesa. Dela, não vejo outra coisa que cabeças olhando para computadores ligados e à procura de um ponto final colocado no lugar errado.

Agora, como é que vou explicar tudo isso quando me perguntam por que tomo tanto chá?


Obs.: senhores e senhoras, preciso dizer que ando com problemas com internet, de forma que não tenho podido acessar o blog. Isso não quer dizer, no entanto, que ele esteja parado, coisa que o status dá a entender... Mais histórias virão, asseguro. Há umas duas já no prelo.

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Carrocinha

A minha “não tão querida porém já apreciada” carrocinha foi-se embora. Ela não era linda, não era possante, não era nada de especial, mas era a minha carrocinha. Mais: além de minha, era única. De tão anciã, já tinha virado “highlandra” a bichinha.

Embora temperamental e difícil de lidar, a carrocinha possuía o seu charme. Mais que muita gente metida por aí (cada um sabe o nariz que tem). Não há o que negar: nos demos bem. Foi um bom mês e meio, quase dois, de convivência quase pacífica (nesse “quase” está implícito um ter querido espancá-la, destruí-la e jogá-la pela janela quando ela teimava em não me respeitar). Às vezes, se estava boazinha, ia que ia linda, faceira, cheia de ternura aonde quer que fosse. Fazia o que eu mandava, na ordem que eu queria. Tudo como manda o figurino.

Outras vezes, quando tinha começado o dia com o pé esquerdo (independente do dia, sempre levava de 10 a 15 minutos para pegar no tranco), a bicha se negava a absolutamente tudo. Não havia santo que a fizesse se mover ou sair de sua teimosia. Nessas horas, não me restava outra coisa que reclamar, praguejar e esperar a sua boa vontade.

No entanto, de tanto eu me queixar, a carrocinha foi substituída e enviada dessa para uma melhor. Espero eu que para o paraíso das carrocinhas. Agora, pois, estou turbinado: new carrocinha 2ª versão plus dasarábias! Mas a 1ª ainda mora no meu coração...

Descrição física da carrocinha antiga:

50cm de altura por 60cm de “fundura”;

2kg e lá vai fumaça;

cor de parede bege suja;

suja;

Pentium I!;

Windows 2000!;

e, o mais importante, fantásticos 256MB de RAM!!!

Digam lá se a carrocinha não era uma belezura de caixinha de computar?! Por mais que não conseguisse abrir internet e pedeéfes ao mesmo tempo, a calculadora e o Paint iam juntinhos supimpa sem travar. Bobeando, dava até para jogar paciência.

Ô não-saudade da minha carrocinha!


Obs.: de tanto eu chamar o meu ex-computador do trabalho de “carrocinha”, ela acabou até ficando conhecida por; o funcionário do setor da informática, quando chegou para trocá-la, disse: “É hoje o dia da carrocinha!”


Sábado, 24 de Maio de 2008

Paula Gomes esquina com Duque de Caxias

Este tem sido o meu endereço no último mês e pouco. Faz parte das mudanças dos últimos tempos. Da janela não vejo mais o varal do prédio, mas sim outras coisas, muitas outras coisas...

Além da Telabrix, empresa de "Molduras, teclas, poster's e espelhos" (escrito exatamente como está na placa) e dos dois pinheiros ao fundo, outras coisas acontecem na esquina da Paula Gomes com a Duque de Caxias.

Era uma vez, pois, um torto... Bar-boteco-balada que anima e desanima os desavisados. Anima porque provém aquela santa cervejinha do final do dia com um bolinho de carne pelo qual muito apreço tenho. Une os amigos, os não-amigos, os inimigos e os desconhecidos. A partir da quarta-feira, a quadra, especialmente os 30 metros da porta de casa até a esquina, vira cenário de baladinha. Com direito a tudo. Reúnem-se todos os tipos de pessoas: bêbados (os que mais comparecem), tiozões (los viejos verdes, que não deixam de fazer parte da categoria "bêbados"), trabalhadores em geral (todo e qualquer tipo de profissional), os módis, os emos, os poetas de balcão e os não de balcão, os roqueiros, os flevers, a galera do tubão, e a nova geração de wonkeiros, que vem fazer o esquenta no boteco da esquina antes de bater cartão ali na fábrica de chocolates (salve, salve Gene Wilder!).

Por outro lado, desanima porque, e isso só vê quem mora aqui na quadra e sai de manhã cedo, existe um depois de toda essa agitação noturna: bêbados jogados pela rua dormindo, garrafas de cerveja quebradas, um sem-fim de bitucas de cigarro, pedaços de comida, lixo em geral, vômito, roupas esquecidas. O cenário matinal é de um fim de batalha, onde até o espólio ignorado já foi levado.

Mas tudo isso, se "apreciado com moderação", deixa a quadra com um ar jovial, um ar portenho notívago bem-vindo. Aqui na Paula Gomes, voltando para casa de noite, chego a me sentir em Buenos Aires. Aquele povo pela rua conversando, rindo, vivendo a rua como um espaço seu, coisa que no Brasil poucas vezes vi. A Paula Gomes com Duque de Caxias, para mim, é quase como uma miniatura da minha tão querida Caballito. Ai minha Caballito! Aliás, quarta-feira conheci por acaso um ex-morador de Caballito perdido aqui em Curitiba.

Também há as figuras carimbadas da quadra: o varredor de rua que sempre me cumprimenta, as putas do puterinho da região que nunca vi mas sei que estão lá; os tiozões do estacionamento da quadra, que passam o dia jogando baralho; os outros da mercearia portuguesa, que passam a vida a tomar cerveja e cultivar a pança; a moça do lado de casa, que mora debaixo da igrejinha e vive brincando com a filhinha na calçada; e os dois moradores de rua que moram na esquina da Duque com a Paula (um em uma esquina, outro na outra).

A Paula com a Duque é, pois, a minha Vallese con Acoyte atual.



Sábado, 17 de Maio de 2008

11h12

Fico me perguntando em que consiste uma aventura. Preciso ir a lugares distantes e exóticos para dizer que tive uma aventura? Preciso viver um grande amor? Preciso ter feito algo de extraordinário e único? Seria necessário tudo isso junto, uma dessas coisas ou nenhuma delas?

A teoria da literatura, falando bem superficialmente e como aquele que matou aula muitas vezes, diz que são necessárias algumas coisas para haver ficção: ação, cenário, personagens e um narrador. Na ação, que se leia conflitos, problemas e afins. Em cenário, que se leia um lugar, seja qual for. Nos personagens, que não se leia nada. "Personagem" já diz tudo, porra. Em narrador, que se leia alguém que conte a história, seja um narrador onisciente em terceira pessoa ou um personagem em primeira.

Tendo em visto esses fatores, apresento aos senhores:

Ação: movimentos sísmicos da minha crescente barriguinha.
Cenário: meu trampo às 11h12.
Personagem: minha barriga, chamada doravante de Pança, e cheiro de comida de mãe, chamado doravante de Cheirinho.
Narrador: este que vos fala.

Vamos, então, ao que viemos.

Era uma vez Pança sentada em sua cadeira de trabalho, às 11h12. Já vinha cumprindo expediente vazia desde 8h. Às 10h12, deu uma roncada, levantou-se, roubou bolacha do vizinho e se acalmou novamente.

Até que, às 11h12, teve início o seu sofrimento. Do edifício vizinho, do apartamento que dá justamente na janela da sala onde trabalha Pança, Cheirinho começou a se fazer sentir. Num primeiro momento não era completamente distinguível, mas foi sendo-o aos poucos: um feijãozinho com paio, arroz branco, franguinho feito na chapa com salsinha e alecrim... Hum... perdição.

Pança, sem saber muito bem o que fazer, tentou se controlar. Em vão. Cheirinho, aparentemente notando essa estratégia de defesa de Pança, intensificou-se. Pança simplesmente foi ao delírio. Começou a se debater quase que ferozmente. A gula tinha-lhe descido pela garganta e o dominava quase por completo. O que fazer? Pança, acreditador do autocontrole e do poder da mente, que não tem, quis impor sua não-vontade de se devorar e tentou resistir aos feitiços de Cheirinho.

Todavia, acabou sucumbindo. Os 48 minutos que antecederam a saída de Pança do trabalho foram quase intermináveis e seu ataque ao buffet mais próximo digno de nota dos melhores comentadores da História.

Ainda bem que o VR diário de Pança é de R$10,00.

Obs.: apesar de tudo indicar o contrário, a balança da farmácia da esquina me disse isso ontem que continuo sendo o felicíssimo possuidor dos meus 69 quilinhos, pesados inclusive depois de um fatídico almoço livre no Sorella (bucho cheiíssimo) e com roupa!



Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Preenchendo o espaço em branco

Há tempos Bons Ares não sabe exatamente o que dizer. Pensa, pensa, mas acaba se coçando. Por vezes Bons Ares é tomado de uma coragem danada, só que acaba culminando em bocejos, dor nas costas e nenhum texto escrito. O máximo que Bons Ares anda fazendo é sentar-se na frente do computador, entrar na página em branco do blog e não conseguir escrever nada. Uns pensam que Bons Ares está em crise. Outros afirmam que é tão-somente aquele vento encanado que espanta as boas idéias. É por isso que Bons Ares resolveu simplesmente sentar e escrever. O que viesse!

A vida vai indo, digamos assim. Com algumas mudanças. Mudança de país, mudança de status, mudança de casa, mudança de trabalho... O bom e velho Little Horse ficou para trás e deu lugar ao São Francisco, atual residência de Bons Ares (deveria, então, este blog se chamar Saint Francis ou Muito Pinhão?). Não seria uma má idéia. No entanto, optamos por não mudar nada. Em time que está ganhando não se mexe, mesmo que ele não esteja ganhando.

Bons Ares tem seus leitores. Não se sabe se são poucos ou não. Um post já foi publicado sobre isso. Alguns, sempre presentes, continuam deixando sua marca e mijando no "post" de Bons Ares. Outros entram, lêem e vão embora sem deixar rastro. Estariam de fato lendo? No final das contas, não é disso que se trata!

De qualquer forma, Bons Ares está aí. Um dia após o outro em busca de bravatas e presepadas. Elas estão se tornando cada vez mais rebuscadas. De uma bagaceira se tornaram encontro de queijos e vinhos com direito a truco sujo, demonstrações de ciúmes, cabras vomitando e gente voltando para casa trupicando. Nada que corações mais fortes não possam suportar.

Ao mesmo tempo, Bons Ares está fazendo planos. Não sabe ainda quais, mas está fazendo. O tempo dirá.

Fato é que os antagonistas de Bons Ares estão em falta. Onde estarão Pato-Perro, os morcegos voadores e os outros tantos inimigos que bravamente enfrentamos sem perder uma gota de sangue? Dizem que morcego não tem vez no São Francisco. Coisa do vampiro do Trevisan. Vai saber.

Diversões: Bons Ares tem tomado vinho, escrevinhado e comido cachorro-quente, o que tem contribuído para a não-forma deste que vos fala.

Que dizer disso tudo? Pois não sei... Digam os senhores.