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quarta-feira, 16 de junho de 2010

As aventuras de um Gestor da Informação pelo mundo

Um amigo do Camilo, com iniciativa própria e boa vontade, redigiu este mail e mandou para seus amigos. Achei o gesto fabuloso e, com o devido agradecimento, reproduzo o conteúdo. Valeu, Wlader!

Prezados

Meu amigo o Gestor da Informação Camilo Gonzalez, e seu fiel escudeiro Maikon Delgado (conhecido como Magoo), estão fazendo uma épica viagem de volta ao mundo apenas com uma Mochila nas costas e um monte de (nem sempre boas) idéias na cabeça.

E vocês devem estar se Perguntando:
E eu com isso?

Bom, é que em virtude dessa incrível jornada eles conseguiram um pequeno Programa de TV para internet chamado “Viajeros sin Banderas” em um site argentino chamado Mixplay (uma espécie de ig portenho).
Vocês podem ver os episódios do programa nos seguintes links:

Episodio 1 (Curitiba)

Episodio 2 (Buenos Aires)


Episodio 4 (Patagonia)

O site é meio enrolado pra carregar (não poderia ser diferente já que se trata de um site argentino) mas vale a pena esperar. O Programa é falado em espanhol mas mesmo quem não domina o idioma de Cervantes consegue entender.

Aqueles que quiserem saber mais sobre a Viagem dos guris podem acessar o Blog  <http://viajerossinbandera.blogspot.com/>. Nesse Blog você encontra relatos da viagem em Português e Espanhol.

Um abraço a todos.

Wlader.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A quem devemos agradecer 2 - Hernán RISOVIBAC

Uma pessoa que mais que merece um post (também de agradecimento) só para ela é o mister Hernán, pai do Camilo. Além do apoio paizístico que dá ao filho e, por conseguinte, ao agregado (esta pessoa que vos fala), Hernán também é responsável pela movimentaçao das nossas contas bancárias e depósito de dinheiro no nosso Visa Travel Money.
Ou seja, sem eles seríamos nao só Viajantes sin Bandera y Frontera, mas literalmente Viajantes sin Documentos. É graças a ele que temos o dindim do final do dia para o leitinho do Camilo (quem o conhece, sabe do que estou falando).
Por conta de sua ajuda diária, o Hernán se autodenominou, com todo direito e razao, Gerente da Agência de Porto Alegre do RISOVIBAC (Rede Internacional de Suporte aos Viajantes sem Bandeira e sem Documento).
Embora o intuito deste blog nunca foi o de ser comercial, vejo-me na situaçao de fazer propaganda da agência e deste fantástico gerente, a quem devo(emos) a vida.
Para quem nao sabe, a RISOVIBAC nasceu há mais de 15 anos e entrou no mercado de suporte a viajantes de maneira contundente. Já ajudou um milhar de viajantes (estatística fiel), dentro eles a Expediçao Austral pelo Estreito de Magalhaes, Jacques Coustaud e sua tripulaçao, os competidores do Paris-Dakar em todas as ediçoes e todos os corredores da corrida internacional de trenós puxados por huskies. Em outras palavras, experiência a este gerente nao falta. 
Como resolveu ajudar-nos, nao sei... Desconfio que: 1. porque Camilo é seu filho; 2. apiedou-se da nossa situaçao de viajantes sem documento. 
Em entrevista exclusiva com os redatores do Viajeros, contou-nos que tem tido muita satisfaçao em ajudar-nos, mas que se preocupa com nossas zé-ruelices, sobretudo a de o Camilo ter perdido a carteira no barco. Segundo Hernán, ¨é muita falta de responsabilidade!¨. 

Hernán também é o mais assíduo e voraz de todos os nossos leitores. Diariamente entre no blog à procura de recentes atualizaçoes e informaçoes sobre os presepeiros que ocupam este blog. Vale ressaltar que infelizmente nao temos podido manter o blog à altura de tao bem-intencionado leitor, mas juramos que estamos fazendo um esforço.
Como leitor, Hernán ainda é a origem atual de todos os contatos que temos no Chile, os quais, até hoje, nos receberam de braços abertos em sete casas diferentes. É óbvio que a generosidade e hospitalidade advêm das pessoas que nos recebem, mas o caminho já foi trilhado uma vez por Hernán, a quem mais uma vez agradecemos!


Para Hernán: oye, andei vendo umas fotos tuas de antigamente dignas de comentário... Pena nao tê-las à mao.


Para todos os outros: saibam que nao tem uma pessa que conhece o Hernán de anos que nao diga que ele e o Camilo sao cara de um, fucinho de outro!


Caríssimo gerente, por fim, minhas mais sinceras saudaçoes e meus mais estimados agradecimentos.


Avante o RISOVIBAC! Quem quiser entrar em contato com o sr. gerente Hernán, pode fazê-lo através deste e-mail: risovibac@risovibac.com.br




sábado, 23 de janeiro de 2010

No ar os primeiros capítulos do Viajeros sin Bandera no Mixplay

Senhoras e senhores,


É com grande prazer que anunciamos que os dois primeiros programas do Viajeros sin Bandera. Saíram no começo desta semana, mas como estávamos infurnados no meio da Bolívia, no Salar do Uyuni, deslumbrados com a vista e padecendo das duvidáveis condições de limpeza do país, só pudemos avisá-los hoje.


Infelizmente não tenho como incorporar o vídeo aqui ao nosso blog, de forma que posso unicamente deixá-los com os links:









Mas o que é o Viajeros sin Bandera? Para quem ainda não sabe, Viajeros sin Bandera é o programa de internet que estamos fazendo para o Mixplay, um canal de internet argentino. 
E como é que fomos conseguir isso? A história é longa, mas vou resumi-la. Era uma vez uma Nena, maluco de quase 2m, forte e jogador de rúgbi, que virou muito meu amigo em Buenos Aires, quando estudava lá. Com essa tal Nena eu ia todos os dias à faculdade, fazia os trabalhos, estudava. Com essa mesma Nena passava horas tomando mate, falando de cinema e filosofando sobre a vida.


Quando voltei para o Brasil, a Nena continuou estudando cinema. Formou-se e agora trabalha como chefe de produção de conteúdo para internet. Na minha viagem para Buenos Aires em setembro, no meu aniversário, nos reencontramos depois de 2 anos. A conversa rolou solta e acabei lhe contando que estava prestes a realizar um sonho do qual falávamos sempre em Buenos Aires: formar-nos e sair com uma câmera na mão pela América Latina. Eis que aquela ideia tomava forma. A Nena se entusiasmou com a ideia e me disse que podíamos fazer um programa de internet com o material. Pediu que eu montasse um projeto e lhe enviasse. Preparei, enviei e, depois de reuniões e inúmeras conversas, acabou dando certo: fechamos contrato com o Mixplay para filmar-nos até o México. 


Sendo assim, saíram nesta semana os dois primeiros capítulos da série Viajeros sin Bandera. Os próximos vão saindo a cada 15 dias...


É nóis na net e us praibói no DVD!


Obs.: mais fotos nos álbuns Bolívia e Chile (ao lado) e mais vídeos no Canal Bons Ares.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A quem devemos agradecer 1 - all the patota

Esta viagem nao é só feita de encontros, desencontros e figuraças. Também é feita de agradecimentos. Aliás, muito embora ainda nao tenhamos tocado neste assunto, eu poderia dizer, sem sombra de dúvidas, que ela é mais feita de agradecimentos que de qualquer outra coisa. 
Sei que vai parecer meio brega, meloso e ursinho-carinhoso, mas as primeiras pessoas que temos de agradecer sao nossos pais e os amigos de Curitiba:
1. Meus pais, pela ajuda, apoio e tudo mais que um filho pode necessitar numa hora dessas;
2. Aos pais do Camilo, pelos mesmos motivos, sendo o Camilo o filho e eu um agregado;
3. Ao pai do Camilo, mister Hernán, pelo apoio logístico à dupla (a esperar post mais detalhado);
4. Ao Piperito Josefino José e Lorens, pela ajuda com malas, caixas, bugigangas e burocracias bancárias;



De TPvM




De TPvM

5. Ao Cabrito coraçao de Jesus, pela mesma ajuda com malas, caixas, bugigangas e últimas coisas no apartamento;



De TPvM

6. À Camila Periguete, pela força imensa com todas as coisas que restaram no apto, contas a pagar e todas as outras milhoes de burocracias chatas do mundo real...



De TPvM

7. Ao Rafa Putain e Mara Peixeira Maravilha, pela força com  mudança, carretos e lugar para minhas estimadas roupas;



De TPvM

8. Ao Jonezinho querido, pela ajuda com a TV



De Chile

9. Ao Du e Lilian, pela força com os livros;



De TPvM

10. À toda a patota que compareceu na festa de despedida, por terem alegrado o ambiente já meio ébrio...



De TPvM

11. A todos os demais, pelas inúmeras outras coisas que fizeram por nós. A essas, nao poderia enumerá-los um a um porque sao muitos, mas mesmo assim fica aqui o nosso sincero agradecimento.


Mais uma vez valeu a todos. E, como diria o sábio da montanha: é nóis na fita e os praibói no dvd! S´embora que ainda falta quase um ano de viagem!


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Empacotando tudo?


Empacotando nada. Já está tudo pronto e só falta fazer a mala...

Faltam 24 horas...


Frio na barriga.

 

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Despedidas I


As despedidas já começaram e estão à toda...
No sábado desci de bicicleta para Morretes com o grupete ciclista da Gangue da Bicicletinha, composta por Lilian, Du Príncipe, Lô, Biverito José e eu. A sexta integrante, Barba Rosa, infelizmente não pôde nos acompanhar, mas prometeu ir nas próximas aventuras em duas rodas da trupe, às quais, infelizmente, terei que faltar. 


De TPvM



De TPvM



De TPvM

No sábado à noite fizemos uma festinha em casa com alguns amigos. Tocamos violão, percursão, etc, até que, lá pelas tantas, Lala e Hique resolveram montar um palco e fizemos um festival de talentos (apelidado por alguns de show de horrores).


De TPvM



De TPvM



De TPvM



De TPvM



De TPvM



De TPvM








Segundo a própria Princesinha, que aparece num dos vídeos fazendo um monólogo, foi um momento de espontaneidade total.
O show de horrores&festival de talentos foi composto de:
1. Abertura de João Arthur
2. Monólogo de Márcia Rodrigues
3. Monólogo da Princesinha
4. Salsa com Camilo
5. Leitura dramática em sueco do Magoo
6. Aula de rastejo do Biverito José seguido de comoção geral da dança do Aspira
7. Lorena cantando guarani
8. Zunga inventando arte
9. Marcos cantando "We Are the Champions" com o cabeção e ainda "O preá é meu amigo"
10. Vlader ensinando o jogo da Troca
11. Carina imitando os manezinhos da ilha
12. Anderson jogando troca
13. Vivaldo jogando troca
14. Lindsey e Cláudio interpretando uma texto desta
15. Melão e Jana no "Você escolhe a música" e fazendo o Dueto Berimbau
16. Barba Rosa tocando violino
17. Cabra cantando uma música medieval
18. Lucas dando uma aula de surf
19. Guizão ensinando-nos a passar em concursos alto grau
20. Jérémy cantando em francês com Camilo
21. Michele dando uma aula de salsa...

Não poderia ter sido uma despedida melhor...









quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mails de despedida

O mail de despedida do Camilo:
Galera, tô indo embora.

Larguei tudo e vou viajar. Dar a "volta ao mundo" (ou ao menos em parte dele)

Vendi o que dava pra vender, emprestei o que podia ser emprestado, me desfiz do que sobrou
Juntei grana, comprei uma mochila e uma passagem aérea, para chegar mais rápido no local de partida.

Viajo com um amigo (Magoo) e começamos semana que vem.
O caminho é mais ou menos assim:
Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Alemanha, Rússia, Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, República Tcheca, Bulgaria, Hungria, Romenia, Grécia, Croácia, Itália, Tunísia, Argélia e Marrocos...

A duração é de um ano... quem sabe mais, quem sabe menos
O roteiro é tentativo. Tudo pode mudar. Dizem por aí que 
el camino se hace al caminar 
O espírito está aberto, pronto a conhercer os lugares e pessoas que virão.
A idéia é deixar de sonhar e apenas ir. Como escreveu Amir Klink,
"
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. [...] Precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

 O mail de despedida do Magoo:
Gentalha, gentalha, gentalha!
Diria o ditado: "Toda longa jornada começa com o primeiro passo!"

Diria o poeta (T. S. Eliot): 
Porque não mais espero retornar
Porque não espero
Porque não espero retornar
A este invejando-lhe o dom e àquele o seu projeto
Não mais me empenho no .empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaído poder do reino trivial?

Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
Porque não penso mais
Porque sei que nada saberei
Do único poder fugaz e verdadeiro
Porque não posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar


Diria o romancista (Várquez-Figueroa): 
"Lo peor que puede ocurrirle a un ser humano es no llegar a ser lo que en justicia debería haber sido, sino convertirse en el resultado de una jugarreta del destino, que se divierte trastocándolo todo con la misma inconsciencia con la que un niño se divierte arrancándole las plumas a un canario!"


Diria o poeta dramaturgo (Brecht):
“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis!”


Se somos bons, muito bons, os melhores ou imprescindíveis, eu não sei. Imagino que estejamos mais perto de um meio-termo, do homem comum e corrente, do que me orgulho de ser. Aspirações sempre temos, mas nem sempre encontramos os meios de realizá-las. Camilo e eu, por sorte (mais sorte que juízo, já diria a mãe deste), conseguiremos realizar um sonho que tínhamos (e que muitos têm): o de dar a volta ao mundo. 


Desde que morávamos em Buenos Aires, já tínhamos vontade de fazer uma viagem pela América Latina e mundo. Enquanto vivíamos lá, fomos amadurecendo a ideia. Quando voltamos, já no começo de 2008, decidimos que começaríamos a economizar dinheiro para isso, mas ainda sem data marcada. Tudo em aberto.


No começo deste ano, fomos de carro para o Uruguai e percorremos todo o país, de cabo a rabo, imbiundo-nos daquela gana de viajar mais. Foi então que decidimos, por A mais B, que no final deste ano embarcaríamos para nossa volta ao mundo.


Economizamos mais um ano, orçamos a viagem, organizamos passagens, datas e burocracia. 


Às economias somamos a venda de nossos carros e com isso vamos embarcar numa viagem de quase um ano pela pela América Latina (6 meses), Europa e África, tendo pela frente algumas dezenas de milhares de quilômetros e muita coisa para viver.


No entanto, pelo menos para mim, dar a volta ao mundo não significa somente conhecer um tanto de países, visitar praias, comer comidas diferentes e curtir a vida (carpe diem). Essa viagem é, mais que nada, de são consciência, um marco a ser respeitado e a balizar o futuro. Sei que a vida não será a mesma depois que voltar. Sei que eu mesmo não voltarei o mesmo depois. Na verdade, mal posso imaginar o que estarei pensando, mas sei que, agora, preciso ver coisas para entender, amadurecer e aprender. 


O que se leva da vida é a vida que a gente leva. Sendo assim, o que com certeza posso levar, e é o que tem tido importância para mim agora, é a lembrança do caminho que vou trilhando, porque são as pegadas que for deixando que vão me levar ao que vou ser, ao que posso ser...


Tanta filosofia (de botequim) não quer dizer que farei uma viagem monástica. Nem de balada ou só festa. Simplesmente deixarei que o vento e os bons augúrios me levem aonde for, procurarei deixar o espírito aberto para experimentar a liberdade de poder ser o que se é, reiventando-se, renovando-se e conhecendo-se. Se o plano do dia for subir uma montanha, subamos. Se for jogar baralho com ucranianos, joguemos. Se for passar frio numa rodoviária perdida no mundo, passemos. Que seja o que tiver que ser. "As coisas por si só decidem se continuam no prosseguir!", anunciaria Guimarães Rosa.


O mundo é feito de lugares e pessoas, e é isso que quero conhecer.

E assim já começaram as despedidas...




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Bons Ares|WT| lançado!

Eis que Bons Ares versão WT foi finalmente lançado. Com orgulho e certo atraso...
Chama-se "WT" (World Trip) devido ao apelido que Camilo e eu demos à nossa viagem de volta ao mundo.
Quê? Volta ao mundo? Cês tomaram chá de cogumelo?
Não, senhores, não tomamos chá de cogumelo. O que vocês estão lendo está certíssimo (estou falando da WT). M. Camilón e eu iniciaremos no próximo dia 4 de dezembro, sexta-feira, às 11h15, nossa viagem pelo mundo. Depois de um ano organizando, orçando e preparando as burocracias para a viagem, aqui estamos com passagens compradas, dinheiro guardado, despedindo-nos de todos e já em clima de partida.
Nosso trajeto será: Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Paraná, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Alemanha, Rússia, Finlândia, Suécia (suecas, aí vamos nós!), Noruega, Dinamarca, República Tcheca, Grécia, Croácia, Itália, Tunísia, Argélia e Marrocos... (em vermelho os trechos que faremos de avião)

Nosso tempo estimado de viagem é de 10 a 12 meses, dependendo única e exclusivamente de até quando nosso dinheiro nos permitirá ficar na estrada. E se for por nós, ficaremos pelo menos um ano.
O projeto WT envolve também uma série de outras coisas: este blog, o Canal Bons Ares no Youtube, álbuns de fotos no Picasa, Twitter e uma futura página no Facebook.
Até viajarmos, a ideia é atualizar diariamente o blog com os preparativos pré-viagem e, uma vez com o pé na estrada, narrar nossas desventuras em terras latino-americanas...
E o Bons Ares tradicional, como fica? Continuará a ser atualizade esporadicamente com coisas mais minhas, pensamentos aqui e ali, dicas e textos esparsos. Durante este próximo ano, porém, atenção será dada mais aqui para o Blogspot, onde pretendemos centralizar as informações.
Mas enquanto não entramos de cabeça na viagem, deixo-os com um vídeo gravado ontem aqui em casa, com Camilo Paquita estrelando a foca...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uruguay Trip 15 - The End


Chegava, pois, ao fim a UYtrip. Só nos restava conhecer melhor a Punta del Diablo, passar pelo Fuerte de Santa Tereza e de lá tocar 900km até Curitiba.
No manhã do décimo quinto dia de viagem, depois de uma péssima noite dormida na barraca, de roupa, com saco de dormir e tendo como colchão o cobertor que levei por precaução, acordamos e fomos atrás de uma padaria tomar café-da-manhã (saco vazio não para em pé).

Centro de Punta del Diablo
Centro de Punta del Diablo
Com um saquinho que madalenas e um iogurte cada, fomos nos sentar na Punta del Diablo. O clima já era de despedida. Aquela seria a última praia uruguaia que eu veria em muito tempo (por algum motivo, demoro muito para voltar aos lugares que visito; a Buenos Aires, por exemplo, não volto desde que vim para o Brasil; à França, uns 5 anos).

Punta de la Punta del Diablo
Punta de la Punta del Diablo

Até mais ver, Punta!
Até mais ver, Punta!
Comemos, batemos umas fotos e nos dirigimos para o Fuerte. Apesar de terem falado muito bem, não achei nada demais. Aliás, a reserva na qual se situa o forte é mais interessante. De qualquer forma, estávamos já no espírito de volta a Curitiba e fim de férias, infelizmente.

Fuerte
Fuerte

Prende essa pacotilla
Prende essa pacotilla
Visita feita, retornamos à UY e mandamos brasa. Passamos por uma parte em que a estrada se alarga, tornando-se também pista de pouso. Dizem os uruguaios que é costume deles irem até lá estreiar seus carros novos, descendo a lenha na pista, que tem quase 3km. O Gonza, sempre heróico, chegou a 150km/h. E o motorista responsável por essa imprudência não fui eu.

Estrada-pista de pouso
Estrada-pista de pouso

De todas, a placa que mais tem
De todas, a placa que mais tem
Um tanto mais para frente chegamos à divisa. Como não tínhamos mais reais, passamos em uma casa de câmbio para trocar tudo o que tinha sobrado pela moeda tupiniquim e seguimos para a aduana de Chuy/Chuí.
Se tinha sido rápida a nossa entrada, a volta ao Brasil foi mais ainda. Carimbamos os passaportes em menos de 2 minutos (sem brincadeira) e nem tivemos o carro revistado. Quando o fiscal da fronteira viu o estado do Gonza de sujeira e desorganização, deve ter pensado: "Nem fodendo que eu vou inspecionar esse carro!". Apesar de não estarmos trazendo nenhuma muamba nem nada, agradecemos. Seria um saco ter que "rearrumar" o porta-malas.
Já no Chuí, batemos uma foto para comprovar que já estivemos no ponto sul extremo do Brasil (falta agora o Oiapoque) e tocamos direto pela 471 rumo a Porto Alegre. Paramos, porém, para almoçar.

Chui, extremo sul do Brasa
Chuí, extremo sul do Brasa
Chegamos em Porto Alegre cedo, às 17h. Já tínhamos decidido que, dependendo do horário, poderíamos continuar dirigindo até Lages. E foi o que fizemos. Passamos reto pela capital gaúcha e escolhemos a BR116 para voltar. Meu pai tinha me mandado uma mensagem dizendo que a BR101 estava um caos, com trechos interrompidos, barreiras caídas, muitos acidentes. Escolhemos, pois, como já disse, a BR116 para voltar. E foi a melhor coisa que fizemos. Evitamos todos os acidentes, engarrafamentos e quilombos de puta madre que estava havendo na briói. Fora que, como eu já tinha podido comprovar, a estrada é mais bem sinalizada e muito mais conservada.

S'embora que ainda tem chão pela frente!
S'embora que ainda tem chão pela frente!
Revezando na boleia, chegamos até quase Vacaria, onde dormimos dentro do Gonza, estacionado em um posto de caminhões. De todas as opções de pouso, só nos faltava o carro. E eis que voltamos para o Brasil com todos os pré-requisitos para uma viagem presepeira cumpridos!

Entrando a noite, já tinhamos metade da viagem feita
Entrando a noite, já tínhamos metade da viagem feita
Encostamos o carro à meia-noite e dormimos até umas 3h30, 4h. Não consegui mais por conta do desconforto. Tendo isso em vista, lavei o rosto e fui dirigindo até umas 7h, quando bateu o cansaço e passei o volante para o Camilo, que até então vinha babando no banco do passageiro.
Chegamos em Curitiba às 10h cravado.

Já em Curita, depois de 1000km rodados em um dia
Já em Curita, depois de 1000km rodados em um dia
O Uruguai ficou, pois, para trás, mas não a vontade de voltar!
E dá-lhe doce de leite para todos!

Fin de la saga uruguaya. Espero que hayan disfrutado. Saludos, compas.



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Uruguay Trip 14

Penúltimo dia de viagem. Chegamos ao ponto culminante: Cabo Polonio. O lugar a que mais queria ir na viagem. E não só desde os preparativos.
Há pelo menos dois anos, quando ainda morava em Buenos Aires, saí uma noite com o Camilo para tomarmos uma cervejinha no Gibraltar, um pub típico de San Telmo cheio de gringos.

Gibra
Gibra
Lá, conheci uma holandesa que já tinha viajado o mundo inteiro. Nascida em Amsterdam, cresceu na Tailândia. Morou na África e veio para o sul da América Latina com uns 20 e poucos. Só isso já é ensejo para conversar durante uma noite inteira. Lá pelas tantas, sentados no balcão ainda tomando cerveja, perguntei-lhe: "Me diga uma coisa: você, que teve oportunidade de conhecer o mundo inteiro, tem especial preferência por um lugar? Algum que tenha te marcado mais que outros?". Para minha surpresa, ela respondeu de primeira, sem nem hesitar: "Cabo Polonio", no Uruguai. Tendo ela já viajado por tudo, achei inusitado escolher um lugar justamente no Uruguai. Por si só já é inspirador, ainda mais porque é um país vizinho. Pedi que ela me contasse mais. Desde então, tinha muita vontade de voltar.
Com tudo isso em mente, acordei de manhã animado. Ia ser um dia massa. Camilón e eu levamos as coisas para o carro e fomos tomar café-da-manhã (pão, doce de leite e café ruim). Na mesa-refeitório do hostel, nos sentamos ao lado de duas garotas argentinas. Demos bom-dia e, como mal responderam, ficamos por isso.

As tais
As tais
De repente, uma delas olha bem para mim, estica o braço, aponta para o pão e faz um gesto de abrir e fechar a mão. Sequer usou um "pán" ou "por favor". Pressumi que ela gostaria que lhe passasse o pão e pensei: "Puta mina mal-educada, caralho".

Quero!
Quero!
Essa mesma garota, no noite anterior, tinha feito algo similar com o Camilo. Estávamos os dois sentados na mesma mesa comendo empanadas e tomando cerveja com o pessoal do hostel. Ela, que daqui para frente será chamada de Gloria (obviamente é o seu nome verdadeiro), lhe passou uma cerveja, olhou para o Camilo, com o mesmo olhar que lançou sobre mim, e disse: "Abrila". Mais uma vez nada de "por favor". O Camilo olhou para mim e fez aquela cara de desgosto e "Qualé dessa mina?" que ele sempre faz. Eu lhe disse: "Abra e foda-se. Deixa quieto". Aberta a cerveja, ele a devolveu para a mademoiselle educação, que nem agradeceu.
Voltando ao café-da-manhã, flashback. A mademoiselle educação Gloria aponta para o pão e mexe a mão, dando a entender que queria que lhe passasse a cesta. Dou risada e lhe passo. Foda-se.
Enquanto comíamos, Camilo e eu ficamos conversando sobre Cabo Polonio e pensando na trip. Gloria, que devia estar escutando nossa conversa, inacreditavelmente formula uma frase completa, com sujeito, verbo e predicado, sem nenhuma ordem no meio: "Vocês dois estão indo para o Cabo? Nós também. Podemos pegar uma carona?". Enquanto eu e o Camilo nos entreolhamos, os dois com aquela cara de "Você, depois de toda falta de educação, ainda tem a pachorra de pedir carona?", Patricia, a amiga da Gloria, que estava na mesa esse tempo todo, tentou se esconder para não morrer de vergonha.

Me dá uma carona?
Me dá uma carona?
Meu incauto companheiro de viagens e eu nos entreolhamos de volta com o mesmo pensamento na cabeça (esse é o bom de conhecer uma pessoa há tempos; você sabe o que ela está pensando): "Por que não? Vamos ver qualé dessas duas loucas. Se tretarem muito, damos a carona e depois nos separamos em Cabo". Eu ainda pensei: "Isso aí é que nem cavalo chucro, depois de domado fica mansinho, mansinho".

Depois de domado, fica mansinho, mansinho...
Depois de domado, fica mansinho, mansinho...
Pois bora lá.
Demos uma organizada no Gonza para que todos entrassem com conforto e partimos. No caminho, Patricia foi puxando conversa. Respondíamos com reciprocidade. Gloria, a mademoiselle educação, foi entrando na conversa, participando mais e dando risada das nossas besteiras. Pela metade da viagem (não mais de 40km), já estávamos com uma impressão de que elas eram gente fina, inclusive Gloria. Apesar do humor ácido (que despertou em mim um interesse de desafio de ver qualé daquela mina), Gloria foi se mostrando simpática depois das primeiras abordagens. Patricia, bem mais dócil, gente boníssima.
Chegamos na "entrada" para Cabo Polonio e estacionamos. Pelo que tinham nos dito, era impossível chegar a Cabo de carro. O caminho para lá, no meio das dunas, só permite que jipes, bugues ou caminhões especialmente adaptados acedam.

Caminhões adaptados que dão acesso ao Cabo
Caminhões adaptados que dão acesso ao Cabo
Já nos fazendo amigos, compramos nossas passagens para um desses caminhões, subimos na carroceria e mandamos ver. Me sentei em cima da cabine, ao lado de dois hippongas muito loucos (que vivem pela vida há 10 anos), que foram me falando de Cabo e de outras praias dos arredores.
Mal pegamos o caminho me dei conta de que era verdade que carros comuns não conseguem chegar. No meio daquelas dunas, íamos ficar completamente atolados na areia. O Gonza sofreria.

Se ele não aguentou, imagine o Gonza...
Se ele não aguentou, imagine o Gonza...
Eu, que já estava impressionado com a beleza das dunas, fiquei mais de cara ainda quando o caminhão chegou à praia, ainda longe de Cabo. Era, sem sombra de dúvidas, o lugar mais bonito da viagem.

Chegando à praia, com vista para Cabo Polonio ao fundo
Chegando à praia, com vista para Cabo Polonio ao fundo

Roots style
Roots style
Sempre pela areia, andamos ainda uns 10 minutos de caminhão até chegar à vila de Cabo. Sem energia elétrica e bem rústica, localiza-se ao lado do farol e de uma encosta de pedras. De estilo meio hipponga, as casas acabam perfazendo um lugar muito pitoresco.
Descemos da caçamba do caminhão e, levados pelo impulso de conhecer a reserva de lobos-marinhos, fomos para o lado do farol.

Camilonga em direção ao farol
Camilonga em direção ao farol

Mademoiselle Educação (depois simpática) e Paty
Mademoiselle Educação (depois simpática) e Paty

Rumo ao farol
Rumo ao farol
Dizem que Cabo é um dos poucos lugares no mundo em que há uma reserva de lobos-marinhos ao lado de uma aglomeração humana. E quando digo uma reserva, falo de uns 300, 400 lobos-marinhos juntos berrando e fazendo o que lobos-marinhos fazem, que, pelo que vi, não vai muito além de dormir e lagartear no sol.

Bando de vadio
Bando de vadio. Não é à toa que se parecem com o Camilo.
De lá voltamos para os lados da vilinha e continuamos em direção às dunas.

Camilo, Gloria e Magoo voltando do farol
Camilo, Gloria e Magoo voltando do farol
No meio do caminho, paramos e deitamos na areia. Estávamos os quatro (eu, Camilo, Patricia e Gloria) já ficando amigos, de forma que não estranhávamos mais as esquisitices da Gloria. Aliás, tanto ela quanto a Paty já estavam nos caindo bem.
Almoçamos deitados na praia e ficamos conversando.

Paty (a bronzeada) e Camilo (o gordo)
Paty (a bronzeada) e Camilo (o gordo)
Pelas tantas, incentivados pelo meu espírito aventureiro, desbravamos as dunas.

Magoo, também gordo, em cima da duna
Magoo, também gordo, em cima da duna
E lá de cima descemos rolando. Terminamos à milanesa.

À milanesa
À milanesa
Inspirados pela presepada e loucos para tirar o caráter à milanesa de nossas pessoas, entramos no mar quase sem titubear...

Que ideia idiota que eu fui ter!
Que ideia idiota que eu fui ter!
... mesmo a água sendo muito fria.

Será mesmo?
Será mesmo?
E não é que tive uma ótima surpresa? Ao lado de Praia de Ponta Negra, nos pés do Morro do Careca, em Natal-RN, Cabo Polonio se mostrou como uma das melhores praias para pegar jacaré a que já fui. Só eu peguei 4 jacarés perfeitos. Camilo, sempre atrás, diz que logrou 2.

Pegou n~
Pegou não, seu mentiroso!
Não aguentando mais a temperatura gélida da água, saímos e fomos nos esquentar no sol, sobre as dunas.

Torra, fio da mãe, torra!
Torra, fio da mãe, torra!
Foi esse esquentar-se o responsável pelo meu torrão. Queimei até as canelas! Detalhe: torrão, tratado a muito amaciante de pele, virou um bronze bem-vindo, o qual, infelizmente, já deu seu adeus. Ficamos lá tomando sol pelo menos uma hora presepando.

Ninja Gloglo x Maguinja
Ninja Gloglo x Maguinja

Cabo visto do alto das dunas
Cabo visto do alto das dunas

Camilo Pacotilla y su sombrerito de chancho
Camilo Pacotilla y su sombrerito de chancho

Paty Mayonesa
Paty Mayonesa

Gloglo, la educada
Gloglo, la educada

Magoo, el buen chico
Magoo, el buen chico
Quando já estávamos com sede e com fome, voltamos à vilinha e tentamos tomar um cerveja gelada, coisa difícil de conseguir em Cabo. E isso sempre com nossas amigas argentinas.

Bora lá tomar uma berinha!
Bora lá tomar uma berinha!
Pelas tantas, pegamos o caminhão para voltar.

Magoo e Paty
Magoo e Paty

Gloglo e Camilonga
Gloglo e Camilonga
Na "entrada" de Cabo, cebamos um mate e nos despedimos das nossas amigas de humor inconstante, mas mesmo assim gente boníssimas. E, como eu tinha imagino, cavalo chucro realmente amansa depois de ser domado... Até disseram que se divertiram conosco. Nos despedimos com esperança de podermos nos reencontrar no meio do ano. Estou planejando passar 20 dias em Buenos Aires.
Despedidas à parte, tocamos para Valizas, onde tínhamos a esperança de dormir. Tudo cheio. Os argentinos tinham tomado toda a região. Fomos a Castillo e o único hotel que encontramos também estava cheio. Decidimos que íamos percorrer as praias em sentido norte (Brasil) uma a uma até acharmos um lugar para dormir. Às 20h30 conseguimos um lugar para pôr a barraca em um dos dois hostels (o outro estava completamente cheio) em Punta del Diablo, justamente onde pretendíamos visitar na manhã seguinte, antes de tocar o dia inteiro até Curitiba. Dessa forma, aumentamos o nosso leque de tipos de lugares em que nos hospedamos durante a viagem: hotel, hostel, casa de amigos, casa de praia. E barraca. Por sorte tínhamos uma no carro, por precaução, porque não havia nenhuma no hostel para alugar.

A nossa não era assim tão tecnológica
A nossa não era assim tão tecnológica
Montamos a barraca, duvidamos pelo conforto que teríamos e o Camilo se meteu na mesa de pingue-pongue, desafiando todos, enquanto eu fiquei conversando com um pintor de casas argentino cuja profissão real é sommelier (que merda!).
No dia seguinte, último de viagem, voltaríamos para o Brasil...