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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fim de viagem

Chegamos ao fim nosso périplo andarilheiro por terras desconhecidas. Onze meses intensos com os dois pés chafurdando na estrada. Bolhas, pés torcidos, solas gastadas e muitos causos para contar.


Ainda não tivemos tempo de fazer um levantamento com as estatísticas  de quantas cidades, quantos quilômetros rodados, quantas horas em transporte, quantos hostels, etc., mas o tempo nos dará oportunidade para pôr tudo isso na ponta do lápis. 


O importante é que a viagem não correu só como o esperado, mas nos brindou também com boas surpresas e pouquíssimos infortúnios. O saldo final é positivaço! Lugares e pessoas deixaram suas marcas.


No entanto, tudo na vida tem começo, meio e fim, e é bom que assim seja. É a inteireza das coisas no tempo e no espaço que nos permite passar de etapa em etapa, dar um passo após outro, almejar sempre algo diferente. 

Há mais de um ano, a viagem era o objetivo futuro, a meta guia. Agora, faz parte do passado, de um passado que quisemos que nos modificasse e que nos modificou. Difícil mesurar quanto, até mesmo porque o quanto não interessa. Quem muda muda. E ponto final.


Tampouco conseguimos dizer para onde enveredam essas mudanças. Cada um de nós está em seu processo de assimilação de tudo o que viveu e aos poucos iremos nos dando conta.


Como o resultado final, o balanço geral e o saldo-mor não podem ser dados por nós pelo único e simples motivo de que não temos nada disso claro ainda, o máximo que podemos fazer é deixar aqui nossos agradecimentos aos que nos ajudaram (pais e amigos) e nossas saudações a aqueles que conhecemos durante nossa viagem. Um muitíssimo obrigado a todos.

E enquanto não houver outras novidades, temos dito: até a próxima e nos vemos por aí.

Isolante térmico, Camilo sorridente e Magoo assustado na Hauptbahnhof de Frankfurt (nossa última foto)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A quem devemos agradecer 1 - all the patota

Esta viagem nao é só feita de encontros, desencontros e figuraças. Também é feita de agradecimentos. Aliás, muito embora ainda nao tenhamos tocado neste assunto, eu poderia dizer, sem sombra de dúvidas, que ela é mais feita de agradecimentos que de qualquer outra coisa. 
Sei que vai parecer meio brega, meloso e ursinho-carinhoso, mas as primeiras pessoas que temos de agradecer sao nossos pais e os amigos de Curitiba:
1. Meus pais, pela ajuda, apoio e tudo mais que um filho pode necessitar numa hora dessas;
2. Aos pais do Camilo, pelos mesmos motivos, sendo o Camilo o filho e eu um agregado;
3. Ao pai do Camilo, mister Hernán, pelo apoio logístico à dupla (a esperar post mais detalhado);
4. Ao Piperito Josefino José e Lorens, pela ajuda com malas, caixas, bugigangas e burocracias bancárias;



De TPvM




De TPvM

5. Ao Cabrito coraçao de Jesus, pela mesma ajuda com malas, caixas, bugigangas e últimas coisas no apartamento;



De TPvM

6. À Camila Periguete, pela força imensa com todas as coisas que restaram no apto, contas a pagar e todas as outras milhoes de burocracias chatas do mundo real...



De TPvM

7. Ao Rafa Putain e Mara Peixeira Maravilha, pela força com  mudança, carretos e lugar para minhas estimadas roupas;



De TPvM

8. Ao Jonezinho querido, pela ajuda com a TV



De Chile

9. Ao Du e Lilian, pela força com os livros;



De TPvM

10. À toda a patota que compareceu na festa de despedida, por terem alegrado o ambiente já meio ébrio...



De TPvM

11. A todos os demais, pelas inúmeras outras coisas que fizeram por nós. A essas, nao poderia enumerá-los um a um porque sao muitos, mas mesmo assim fica aqui o nosso sincero agradecimento.


Mais uma vez valeu a todos. E, como diria o sábio da montanha: é nóis na fita e os praibói no dvd! S´embora que ainda falta quase um ano de viagem!


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Despedidas I


As despedidas já começaram e estão à toda...
No sábado desci de bicicleta para Morretes com o grupete ciclista da Gangue da Bicicletinha, composta por Lilian, Du Príncipe, Lô, Biverito José e eu. A sexta integrante, Barba Rosa, infelizmente não pôde nos acompanhar, mas prometeu ir nas próximas aventuras em duas rodas da trupe, às quais, infelizmente, terei que faltar. 


De TPvM



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No sábado à noite fizemos uma festinha em casa com alguns amigos. Tocamos violão, percursão, etc, até que, lá pelas tantas, Lala e Hique resolveram montar um palco e fizemos um festival de talentos (apelidado por alguns de show de horrores).


De TPvM



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Segundo a própria Princesinha, que aparece num dos vídeos fazendo um monólogo, foi um momento de espontaneidade total.
O show de horrores&festival de talentos foi composto de:
1. Abertura de João Arthur
2. Monólogo de Márcia Rodrigues
3. Monólogo da Princesinha
4. Salsa com Camilo
5. Leitura dramática em sueco do Magoo
6. Aula de rastejo do Biverito José seguido de comoção geral da dança do Aspira
7. Lorena cantando guarani
8. Zunga inventando arte
9. Marcos cantando "We Are the Champions" com o cabeção e ainda "O preá é meu amigo"
10. Vlader ensinando o jogo da Troca
11. Carina imitando os manezinhos da ilha
12. Anderson jogando troca
13. Vivaldo jogando troca
14. Lindsey e Cláudio interpretando uma texto desta
15. Melão e Jana no "Você escolhe a música" e fazendo o Dueto Berimbau
16. Barba Rosa tocando violino
17. Cabra cantando uma música medieval
18. Lucas dando uma aula de surf
19. Guizão ensinando-nos a passar em concursos alto grau
20. Jérémy cantando em francês com Camilo
21. Michele dando uma aula de salsa...

Não poderia ter sido uma despedida melhor...









quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Mails de despedida

O mail de despedida do Camilo:
Galera, tô indo embora.

Larguei tudo e vou viajar. Dar a "volta ao mundo" (ou ao menos em parte dele)

Vendi o que dava pra vender, emprestei o que podia ser emprestado, me desfiz do que sobrou
Juntei grana, comprei uma mochila e uma passagem aérea, para chegar mais rápido no local de partida.

Viajo com um amigo (Magoo) e começamos semana que vem.
O caminho é mais ou menos assim:
Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Alemanha, Rússia, Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca, República Tcheca, Bulgaria, Hungria, Romenia, Grécia, Croácia, Itália, Tunísia, Argélia e Marrocos...

A duração é de um ano... quem sabe mais, quem sabe menos
O roteiro é tentativo. Tudo pode mudar. Dizem por aí que 
el camino se hace al caminar 
O espírito está aberto, pronto a conhercer os lugares e pessoas que virão.
A idéia é deixar de sonhar e apenas ir. Como escreveu Amir Klink,
"
Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. [...] Precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

 O mail de despedida do Magoo:
Gentalha, gentalha, gentalha!
Diria o ditado: "Toda longa jornada começa com o primeiro passo!"

Diria o poeta (T. S. Eliot): 
Porque não mais espero retornar
Porque não espero
Porque não espero retornar
A este invejando-lhe o dom e àquele o seu projeto
Não mais me empenho no .empenho de tais coisas
(Por que abriria a velha águia suas asas?)
Por que lamentaria eu, afinal,
O esvaído poder do reino trivial?

Porque não mais espero conhecer
A vacilante glória da hora positiva
Porque não penso mais
Porque sei que nada saberei
Do único poder fugaz e verdadeiro
Porque não posso beber
Lá, onde as árvores florescem e as fontes rumorejam,
Pois lá nada retorna à sua forma

Porque sei que o tempo é sempre o tempo
E que o espaço é sempre o espaço apenas
E que o real somente o é dentro de um tempo
E apenas para o espaço que o contém
Alegro-me de serem as coisas o que são
E renuncio à face abençoada
E renuncio à voz
Porque esperar não posso mais
E assim me alegro, por ter de alguma coisa edificar
De que me possa depois rejubilar


Diria o romancista (Várquez-Figueroa): 
"Lo peor que puede ocurrirle a un ser humano es no llegar a ser lo que en justicia debería haber sido, sino convertirse en el resultado de una jugarreta del destino, que se divierte trastocándolo todo con la misma inconsciencia con la que un niño se divierte arrancándole las plumas a un canario!"


Diria o poeta dramaturgo (Brecht):
“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons; há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis!”


Se somos bons, muito bons, os melhores ou imprescindíveis, eu não sei. Imagino que estejamos mais perto de um meio-termo, do homem comum e corrente, do que me orgulho de ser. Aspirações sempre temos, mas nem sempre encontramos os meios de realizá-las. Camilo e eu, por sorte (mais sorte que juízo, já diria a mãe deste), conseguiremos realizar um sonho que tínhamos (e que muitos têm): o de dar a volta ao mundo. 


Desde que morávamos em Buenos Aires, já tínhamos vontade de fazer uma viagem pela América Latina e mundo. Enquanto vivíamos lá, fomos amadurecendo a ideia. Quando voltamos, já no começo de 2008, decidimos que começaríamos a economizar dinheiro para isso, mas ainda sem data marcada. Tudo em aberto.


No começo deste ano, fomos de carro para o Uruguai e percorremos todo o país, de cabo a rabo, imbiundo-nos daquela gana de viajar mais. Foi então que decidimos, por A mais B, que no final deste ano embarcaríamos para nossa volta ao mundo.


Economizamos mais um ano, orçamos a viagem, organizamos passagens, datas e burocracia. 


Às economias somamos a venda de nossos carros e com isso vamos embarcar numa viagem de quase um ano pela pela América Latina (6 meses), Europa e África, tendo pela frente algumas dezenas de milhares de quilômetros e muita coisa para viver.


No entanto, pelo menos para mim, dar a volta ao mundo não significa somente conhecer um tanto de países, visitar praias, comer comidas diferentes e curtir a vida (carpe diem). Essa viagem é, mais que nada, de são consciência, um marco a ser respeitado e a balizar o futuro. Sei que a vida não será a mesma depois que voltar. Sei que eu mesmo não voltarei o mesmo depois. Na verdade, mal posso imaginar o que estarei pensando, mas sei que, agora, preciso ver coisas para entender, amadurecer e aprender. 


O que se leva da vida é a vida que a gente leva. Sendo assim, o que com certeza posso levar, e é o que tem tido importância para mim agora, é a lembrança do caminho que vou trilhando, porque são as pegadas que for deixando que vão me levar ao que vou ser, ao que posso ser...


Tanta filosofia (de botequim) não quer dizer que farei uma viagem monástica. Nem de balada ou só festa. Simplesmente deixarei que o vento e os bons augúrios me levem aonde for, procurarei deixar o espírito aberto para experimentar a liberdade de poder ser o que se é, reiventando-se, renovando-se e conhecendo-se. Se o plano do dia for subir uma montanha, subamos. Se for jogar baralho com ucranianos, joguemos. Se for passar frio numa rodoviária perdida no mundo, passemos. Que seja o que tiver que ser. "As coisas por si só decidem se continuam no prosseguir!", anunciaria Guimarães Rosa.


O mundo é feito de lugares e pessoas, e é isso que quero conhecer.

E assim já começaram as despedidas...