Mostrando postagens com marcador férias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador férias. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A República das Bananas


Onde fica a República das Bananas?
Quem mora na República das Bananas?
Por fim, o que é a República das Bananas?

Uma pergunta inusitada merece uma resposta inusitada. Três perguntas inusitadas merecem respostas absurdas. 

A República das Bananas fica no meio do mundo.
Moram na República das Bananas os patacões.
A República das Bananas é a República das Borboletas.

Toda viagem começa com um primeiro passo, e os começos tendem a ficar no início de tudo. O início, se visto de ponta-cabeça, pode também ser o próprio fim, de modo que o começo às vezes também é o fim. Nós, por exemplo, começamos nossa longa jornada pelo fim (do mundo).

Quatro meses depois, concluímos o primeiro terço chegando ao meio do mundo. Se você localizar no mapa-múndi as linhas imaginárias que separam/organizam este globo azulado que chamamos Terra, encontrará as dos Círculos Antártico e Ártico, as de Capricórnio e de Câncer. No meio de todas, separando norte de sul, há a do Equador, que, coincidência ou não, tem o mesmo nome do país onde se localiza ela. 

Equador é, pois, onde estamos. 

E parte do que somos é onde estamos, bem como o que comemos e com quem conversamos. Seríamos também, por entanto, patacões perdidos no meio de borboletas?

Expliquemo-nos. 

Há muitas comidas típicas no Equador, e muitas delas, maioria sem dúvida, vem com os famosos patacones, que não conhecíamos até entrar nestas paragens. Patacón é qualquer acompanhamento feito de verde, uma espécie de banana verde e salgada. Com ela, fazem tirinhas fritas, rodelas fritas, bolinho, pão de queijo e outros quitutes mais, que servem frequentemente com arroz, salada, feijão ou lentinhas. E digo servir com, trata-se de acompanhar tudo o que se come em todo lugar. Desde que entramos no Equador, não me lembro de um dia sequer que não tenha comido patacones em alguma refeição.

Vivam, pois, as bananas. Para que haja tantas, são necessárias bananeiras, as quais são plantadas em todos os lugares. Viaja-se pelas estradas equatorianas e o que se vê é mato virgem e muitos pés de verde

Daí então (a minha | ver esclarecimentos) "República das Bananas".

E, diga-me, o que diabos tem a banana a ver com borboletas?

Eis aqui a razão. Eu nunca tinha visto antes um fenômeno similar. Seja no nascer, no pôr do sol ou durante as quentes tardes equatorianas, por onde quer que se vá vislumbra-se uma imensidão de borboletas brancas, amarelas e laranjas voejando por entre árvores e arbustos à altura dos olhos. O rastro de seu voo torpe deixado por suas asas coloridas preenche o céu e dá cor às objetivas das máquinas fotográficas...

Que mais esperar do Equador? Francamente, não sei. Talvez pudesse, com a amabilidade típica dos equatorianos em pedir coisas, simplesmente dizer: 

¡Oye, regálame una mariposa sobre un patacón, porfa!



Esclarecimento 1: República das Bananas, originalmente, é um termo americano que designa, pejorativamente, os países latino-americanos em geral, mas especialmente Honduras. 
Esclarecimento 2: República das Bananas também pode ser um país fictício, habitado por macacos, como  anuncia a Desciclopédia
Esclarecimento 3: Uso o termo à minha maneira, sem intenções pejorativas ou com o intuito de menosprezar, como puderam ver. Se há alguém que pensa o contrário do texto, peço que considere estes três esclarecimentos. 


segunda-feira, 15 de março de 2010

Viajeros sin Bandera entrevistados no Destinos Actuales

Senhoras e senhores, 

Para aqueles que não acreditavam que dois zé-ruelas de marca maior poderiam gerar interesse real nos outros, fomos convidados, por Eddy Lara Brito, a dar uma entrevista para o blog de viagens Destinos Actuales. Eis o começo da entrevista:

Maikon Delgado y Camilo González partieron desde Argentina para recorrer toda América Latina. Su idea ha sido compartir con todo el mundo la posibilidad de viajar con ellos a través de un programa por entregas de TV por Internet,Viajeros sin Banderas. “El mundo está hecho de lugares y personas, y ello es lo que queremos conocer“, dice Maikon mientras nos responde por email a nuestras preguntas. Ahora mismo se encuentran en Lima (Perú), pero descubramos un poco más con ellos el viaje que aún les – y nos – espera.



Quem quiser lê-la na íntegra, basta clicar aqui ou ir diretamente ao hiperlink:

sexta-feira, 12 de março de 2010

Preguiça viajante existencial

Viajar cansa, hei de confessá-lo. Há dias, como hoje, em que não tenho vontade de fazer absolutamente nada. Nem sequer ir à esquina. Fui porque precisava lavar roupa, mas não planejo fazer mais que isso.

Em dias assim não sei muito o que fazer. Sinto-me mal por estar viajando e não andando pela cidade, como a maioria dos viajantes? Ou me sinto sem culpa sabendo que viajar também é experimentar diferentes tipos de viagem, dentro os quais a modalidade "vadiagem"?

Estou com tanta preguiça hoje que nem forças para sentir-me culpado tenho, de forma que me restou aproveitar a vadiagem para descansar, ler, escrever e conversar com os amigos.

A cidade de Lima, de onde escrevo, é tão quente que não me permite sair na rua. É realmente como se tivesse sido alvejado por um balaço. É esgotador. Um passo aqui vale 15 em outra cidade... E a praia, que deveria servir como consolo, não é lá muito limpa. 

Ontem nos prometemos sair, mas não conseguimos. Hoje nem tentamos, pois sabíamos que não teríamos forças. 

Quem sabe amanhã... quem sabe...



Obs.: mais fotos da viagem no álbum Peru!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Coisas que se (re)aprende/acostuma/esquece quando se viaja por muito tempo

1. Tomar banho descalço. A modalidade "banho completamente pelado" é algo que inexiste quando se viaja. A higiene dos banheiros é, em geral, duvidosa. Isso quando há banheiro...
2. Tomar banho em 10 minutos e não deixar absolutamente nada cair no chão, nem o sabonete.
3. Fazer suas necessidades em qualquer lugar, mesmo que tenha que ser no matinho.
4. Resumir sua viagem em uma frase: "Estou fazendo toda a América Latina, desde Ushuaia até México, depois Europa, Ásia e África". 
5. Resumir sua vida em algumas poucas sentenças: "Sou brasileiro de Curitiba. Trabalhava como redator web e revisor. Aprendi espanhol em Buenos Aires, e francês na França. Sou formado em Letras".
6. Habituar-se a ter conversas superficiais, cheias de lugares-comuns, na maioria do tempo.
7. Conseguir, ainda que só de vez em quando, ter conversas realmente profundas depois de ter conhecido alguém há 5 minutos.
8. Desenvolver uma amizade "instantaneamente profunda" nos primeiros 15 minutos de conversa.
9. (Re)Descobrir que o seu corpo é a máquina que faz você funcionar. Caminhou-se muito, doem os pés e é preciso cuidá-los. Tomou-se muito sol, ficou-se com insolação, febre e é preciso descansar. Comeu algo errado, o estômago já reclama, etc. E é assim 24 horas todos os dias.
10. Não se incomodar mais com roupa suja. 
11. Tampouco se importar de estar feio e descompensado. 
12. Entender que quase 100% das pessoas com que você vai conviver estarão na mesma situação e, portanto, discutirão os mesmos problemas.
13. O mochileiro é uma raça à parte e tem suas próprias leis morais, costumes, interesses e regras de socialização.
14. Ser brasileiro te permite fazer quase qualquer outra coisa e todo mundo acha bonito e engraçado.
15. Esquecer que existem os dias da semana. Para um viajante a longo prazo, só há ontem/hoje/amanhã.
16. Redescobrir que o tempo é relativo e social. O relógio deixa de importar e quase tudo se pauta em: nascer do sol, pôr do sol, hora de comer, e hora de dormir.
17. Transformar a saudade e falta de algumas coisas em combustível para seguir em frente...


terça-feira, 2 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Carnaval boliviano

Cabritos e Cabritas


Entendo ja estão (quase) todas e todos refeitos passado o período carnavalesco nacional.


Assim sendo, antes que mais nada, meu desejo feliz ano novo a todos! 
(afinal, no Brasil o ano so começa depois do carnaval)
Espero também que tenham todos e todas se divertido, como fizera Baco 
Escrevo-lhes, desta vez em poucas linhas, para compartilhar minha experiencia, meu carnaval  2010 na.... 
.... Bolivia! 

Passei pois os dias festivos em Santa Cruz de la Sierra, em companhia de alguns viajantes tupiniquins que, por razoes diversas, decidiram abandonar a terrinha nesses sagrados dias.
O carnaval no país começa, entretanto, bastante antes do que no domingo habitual (ou sexta feira para alguns). Precisamente duas quintas feiras antes do referido final de semana. Ou seja, na quinta-feira 5 de fevereiro para o presente ano. 
Neste dia Pepino é desenterrado e festeja-se o conhecido "jueves de compadres", quando os homens, e somente eles, saem para devertir-se (leia-se beber ate cair). Como em referido dia estava a bordo de um busum boliviano que ia de Potosi a Sucre, passei a festividade pois em branco.
Exatamente uma semana depois, na quinta feira 12, tem lugar o "jueves de comadres". A vez das damas. Neste dia estava pois em Cochabamba, na companhia e residencia de um bom amigo que insistiu para que ficassemos, com Magoo, na cidade até referida data - sob a ameaça de término da amizade caso partissemos antes e a promessa de lindas mulheres dançando loucamente - como no Brasil.
Armados de paciencia e tratando de contagiarnos com a alegria local, esperamos até as duas e meia da madruga para poder entrar em um bar onde,  até essa hora, só haviam mulheres dançando e tomando até cair (algumas tinham já caido). Especie de "ladies" first local. Ao invés de descrever o cenário, deixo-lhes com as palavras do cantor Luis Miguel, que dizia mais ou menos assim: "yo no sé donde están las mujeres más lindas de planeta, pero las más feas están aqui" (estava ele em Oruro). Enfim, "jueves de comadres"
Cumprida esta estapa, fomos a Santa Cruz de la Sierra aproveitar os dias de carnaval, pensando em divertir-se como voces, carissimos leitores. Conhecedores da guerra de bolinhas d`agua e jatos de espuma que explodia nas ruas hà semanas (desde que Pepino fora desenterrado),  preparamos o espírito para a batalha campal que nos esperava. Foram entao comparadas algumas bolinhas, sprais e até e pistolas d´agua - para aqueles mais fortemente armados.   Ademas, graças as boas almas do hostel, fomos alertados que, precisamente nessa cidade (e nao nas demais), além de água e espuma, os folioes tem o (maldito) costume de jogar tinta nas pessoas. Uma tinta que dificilmente sai, seja da pele, roupa ou cabelos.
A trupe tupiniquim em questao preparou-se entao para a batalha, munida do referido armamento acima descrito, colocando as roupas mais usadas (que no nosso caso nao foi muito dificil escolher) e uma touca da vovô para proteger as madeixas. Constituida por este que vos escreve, seu companheiro de aventuras e presepadas, um pessoal bacana dimaisss de Uberlândia, um casal suiço, um cubano e um irlandes que chegou por ultimo, saímos pois as ruas enfrentar a multidao.
Galera, é tinta, água e espuma pra tudo quanto é lado! O lance é atacar quem passar do teu lado rapida e precisamente, seja homem, mulher, criança ou cachorro. Depois de alguns minutos de desorganizacao e desperdicio de municao, sendo tambem sucrilhado pelos locais, adotamos uma tática romana: nos movimentamos em círculos, cada um protegendo a retaguarda do outro, atacando todos de uma vez aquele que nos tivesse atacado. Deu um pouco mais certo, em que pese fomos todos atingidos.
Quanto a cerveja e samba.... nao teve muito nao. A musica era ofertada por uma fiila de carros de som, colocados uns ao lado dos outros e provocando uma mistura sonora, que nao permitia acompanhar a cumbia do momento. Ja cerveja foi bebida quente e de maneira rapida, olhando para os lados pronto a se esquivar do futuro ataque. 
Essa festa durou pois quatro dias, até a quarta feira de cinzas. Sábado foi "Iscanata" (juego pequeño), domingo "Hachanata" (juego grande) e segunda e terça "Chaya": dias de colorir casas e carros (alguns tambem com tinta). Já no domingo 21, a festa acabou, marcada pelo desfile de corsos e pelo enterro do famoso Pepino (!)
Saludos a todos

Camilo,
em Arequipa (Peru), recuperando-se de uma caminhada de dois dias para tentar ver um Condor - que parece nao apareceu...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Mais fotos da Bolívia e as mais atuais do Peru


Senhoras e senhores, é com grande prazer, depois de um longo período de inatividade neste blog, que vos trago as últimas fotos da Bolívia e as mais atualíssimas aqui do Peru, onde estamos. Vocês podem vê-las tanto aqui abaixo como nos álbuns ao lado, cujos títulos são mais do que explicativos.


Um beijo e logo, logo outras novidades.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Malditas malditas

Perdoem-me aqueles que vieram a este blog à procura de um texto mais sublime, de reflexões sobre as diferentes culturas e povos que estamos encontrando, de observações mais acuradas sobre o sentido do estranho & estrangeiro no país alheio. Isso, meu caro leitor, você não encontrará neste post.
Aliás, pensando em sua integridade e interesse, peço-lhes, com todo respeito que me é possível falar, que saiam deste blog e retornem em outro dia, pois o post que vem a seguir tem grande teor escatológico e detalhes não afeitos a moral e bons costumes.
Dizem todos os viajantes que conheci que viajar é dar-se a oportunidade de conhecer outras culturas, outros lugares, cruzar com pessoas interessantes e assim poder ver o mundo através de outros olhos. Estou de acordo que isso é verdade.
No entanto, também é verdade que viajar não é somente isso. Viajar vai além dessa simples descrição. Viajar também é, lamento a expressão, passar perrengue, e um dos perrengues que mais temos encontrado na viagem em geral, mas especialmente na Bolívia, é a sujeira. 
Mais uma vez peço desculpas àqueles que, mesmo avisados, seguiram lendo e, por coincidência ou não, são defensores das culturas por si só ou amantes da boliviana. A esses eu diria para simplesmente fecharem a página e não continuarem lendo, pois não quero ferir os brios de ninguém. O X vermelho no alto da página está para isso: para evitar eventuais dissabores.
Fato é, estimados(as) senhores(as), que as pulgas nos perseguem. Esses malditos animaizinhos saltitantes, parecidos a pontos negros, insistem em viver um pouco às nossas custas. Ou, melhor dito, à custa de nosso real sangue tupiniquim.


Nestes dois meses de viagem, já pegamos pulgas três vezes. A última, e mais resistente, foi aqui na Bolívia. O pior, porém, é que sabemos exatamente onde as pegamos, e esse lugar não foi na rua, nos ônibus que não têm banheiro e não param nunca para fazermos xixi nem nos parques. Nós as pegamos (eu especialmente) na cama do hostel internacional!
Logo que me deitei na primeira noite, já comecei a me coçar. Quando acordei no dia seguinte tinha sido devorado pelas famigeradas. Sempre munido do pó de santo de matar insetos, pulverizei-o na minha cama e dentro da minha mochila, com esperança de que na noite seguinte já não seria incomodado por esses bichos da peste.
Mas não, os infelizes, resistentes, seguiram devorando-me na noite seguinte, de forma que hoje estou completamente marcado pelas filhas do tinhão, as quais, mesmo com uma segunda pulverizada, mais feroz desta vez, continuam satisfazendo-se às minhas custas.
É calcanhar, dedo do pé, perna, braço, cintura... Fizeram a festa comigo e em mim.
Acabo de vir de mais um banho, o segundo em menos de 8 horas, e ainda sinto que a ou as danadas estão trabalhando arduamente. O problema, no entanto, é que, mesmo fazendo todo o esforço possível que sempre fiz para expurgá-las, sei que as coisas se complicam muito, pois talvez não seja a mesma que está me comendo, e sim outras, que vão fazendo rodízio comigo em cada rua, terminal de ônibus ou cama de hostel pelos quais vou passando em terras bolivarianas.
Hei de confessar, muito embora não queira, que a Bolívia é um pouco suja. Por onde se anda sente-se a sujeira, seja nas paredes, no chão, nos banheiros, na comida. Comer aqui é um processo lento e desconfiado. Só comemos coisas cozidas, nada fresco (nada de salada, infelizmente), não tomamos nada que possa conter água, pois usam água da torneira aqui, e essa mesma água não é potável nem especialmente limpa. Diria mais até: ao contrário do que dizem todos os químicos, de que a água não tem gosto nem cheiro, aqui ela tem tanto gosto como cheiro. Cheiro de Bolívia, é verdade. Um cheiro esquisito que só quem já veio sabe como é.
Apesar de tudo e de tanta escatologia, não digo que não esteja gostando da Bolívia. Estou apreciando a estadia e aprendendo com o choque cultural que sofri. A cada dia, um estranhamento, seja pelas maneiras, pelas pessoas, pelo trato dos bolivianos. Reconheço que não sei dizer ainda até que ponto estou gostando daqui. Tampouco sei até que ponto viajar é ter de gostar de onde se vai. Viajar talvez seja simplesmente experimentar, independentemente de se é bom ou ruim para aquele que experimenta.
Até descobrir isso, deixo aqui minhas sinceras desculpas pela eventual quebra de decoro blogueiro, assim como minha estima para com todos, mas sobretudo para com a Pachamama, a Mãe Terra dos quéchuas e aymarás.
Que ela nos abençoe a todos e que, por misericórdia, faça as malditas pulgas se satisfazerem logo, porque muita carne não tenho mais.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Momento Flogger (Navimag - the first floggers in the world)

No barco, fizemos questao de disseminar a filosofia Flogger entre os tripulantes. Uma das nossas primeiras fotos floggers com a trupe:




De Chile

Magoo (Congo), Marije (Holanda), Camilo (Brasil), Ula-Ula (Alemanha), Sarah (Bélgica), Rory the Mate (Austrália)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A quem devemos agradecer 2 - Hernán RISOVIBAC

Uma pessoa que mais que merece um post (também de agradecimento) só para ela é o mister Hernán, pai do Camilo. Além do apoio paizístico que dá ao filho e, por conseguinte, ao agregado (esta pessoa que vos fala), Hernán também é responsável pela movimentaçao das nossas contas bancárias e depósito de dinheiro no nosso Visa Travel Money.
Ou seja, sem eles seríamos nao só Viajantes sin Bandera y Frontera, mas literalmente Viajantes sin Documentos. É graças a ele que temos o dindim do final do dia para o leitinho do Camilo (quem o conhece, sabe do que estou falando).
Por conta de sua ajuda diária, o Hernán se autodenominou, com todo direito e razao, Gerente da Agência de Porto Alegre do RISOVIBAC (Rede Internacional de Suporte aos Viajantes sem Bandeira e sem Documento).
Embora o intuito deste blog nunca foi o de ser comercial, vejo-me na situaçao de fazer propaganda da agência e deste fantástico gerente, a quem devo(emos) a vida.
Para quem nao sabe, a RISOVIBAC nasceu há mais de 15 anos e entrou no mercado de suporte a viajantes de maneira contundente. Já ajudou um milhar de viajantes (estatística fiel), dentro eles a Expediçao Austral pelo Estreito de Magalhaes, Jacques Coustaud e sua tripulaçao, os competidores do Paris-Dakar em todas as ediçoes e todos os corredores da corrida internacional de trenós puxados por huskies. Em outras palavras, experiência a este gerente nao falta. 
Como resolveu ajudar-nos, nao sei... Desconfio que: 1. porque Camilo é seu filho; 2. apiedou-se da nossa situaçao de viajantes sem documento. 
Em entrevista exclusiva com os redatores do Viajeros, contou-nos que tem tido muita satisfaçao em ajudar-nos, mas que se preocupa com nossas zé-ruelices, sobretudo a de o Camilo ter perdido a carteira no barco. Segundo Hernán, ¨é muita falta de responsabilidade!¨. 

Hernán também é o mais assíduo e voraz de todos os nossos leitores. Diariamente entre no blog à procura de recentes atualizaçoes e informaçoes sobre os presepeiros que ocupam este blog. Vale ressaltar que infelizmente nao temos podido manter o blog à altura de tao bem-intencionado leitor, mas juramos que estamos fazendo um esforço.
Como leitor, Hernán ainda é a origem atual de todos os contatos que temos no Chile, os quais, até hoje, nos receberam de braços abertos em sete casas diferentes. É óbvio que a generosidade e hospitalidade advêm das pessoas que nos recebem, mas o caminho já foi trilhado uma vez por Hernán, a quem mais uma vez agradecemos!


Para Hernán: oye, andei vendo umas fotos tuas de antigamente dignas de comentário... Pena nao tê-las à mao.


Para todos os outros: saibam que nao tem uma pessa que conhece o Hernán de anos que nao diga que ele e o Camilo sao cara de um, fucinho de outro!


Caríssimo gerente, por fim, minhas mais sinceras saudaçoes e meus mais estimados agradecimentos.


Avante o RISOVIBAC! Quem quiser entrar em contato com o sr. gerente Hernán, pode fazê-lo através deste e-mail: risovibac@risovibac.com.br




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Momento Flogger (UlaUla)

Flogando com UlaUla, presidente vitalícia da Ulaulalândia...

De Chile

sábado, 23 de janeiro de 2010

No ar os primeiros capítulos do Viajeros sin Bandera no Mixplay

Senhoras e senhores,


É com grande prazer que anunciamos que os dois primeiros programas do Viajeros sin Bandera. Saíram no começo desta semana, mas como estávamos infurnados no meio da Bolívia, no Salar do Uyuni, deslumbrados com a vista e padecendo das duvidáveis condições de limpeza do país, só pudemos avisá-los hoje.


Infelizmente não tenho como incorporar o vídeo aqui ao nosso blog, de forma que posso unicamente deixá-los com os links:









Mas o que é o Viajeros sin Bandera? Para quem ainda não sabe, Viajeros sin Bandera é o programa de internet que estamos fazendo para o Mixplay, um canal de internet argentino. 
E como é que fomos conseguir isso? A história é longa, mas vou resumi-la. Era uma vez uma Nena, maluco de quase 2m, forte e jogador de rúgbi, que virou muito meu amigo em Buenos Aires, quando estudava lá. Com essa tal Nena eu ia todos os dias à faculdade, fazia os trabalhos, estudava. Com essa mesma Nena passava horas tomando mate, falando de cinema e filosofando sobre a vida.


Quando voltei para o Brasil, a Nena continuou estudando cinema. Formou-se e agora trabalha como chefe de produção de conteúdo para internet. Na minha viagem para Buenos Aires em setembro, no meu aniversário, nos reencontramos depois de 2 anos. A conversa rolou solta e acabei lhe contando que estava prestes a realizar um sonho do qual falávamos sempre em Buenos Aires: formar-nos e sair com uma câmera na mão pela América Latina. Eis que aquela ideia tomava forma. A Nena se entusiasmou com a ideia e me disse que podíamos fazer um programa de internet com o material. Pediu que eu montasse um projeto e lhe enviasse. Preparei, enviei e, depois de reuniões e inúmeras conversas, acabou dando certo: fechamos contrato com o Mixplay para filmar-nos até o México. 


Sendo assim, saíram nesta semana os dois primeiros capítulos da série Viajeros sin Bandera. Os próximos vão saindo a cada 15 dias...


É nóis na net e us praibói no DVD!


Obs.: mais fotos nos álbuns Bolívia e Chile (ao lado) e mais vídeos no Canal Bons Ares.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A quem devemos agradecer 1 - all the patota

Esta viagem nao é só feita de encontros, desencontros e figuraças. Também é feita de agradecimentos. Aliás, muito embora ainda nao tenhamos tocado neste assunto, eu poderia dizer, sem sombra de dúvidas, que ela é mais feita de agradecimentos que de qualquer outra coisa. 
Sei que vai parecer meio brega, meloso e ursinho-carinhoso, mas as primeiras pessoas que temos de agradecer sao nossos pais e os amigos de Curitiba:
1. Meus pais, pela ajuda, apoio e tudo mais que um filho pode necessitar numa hora dessas;
2. Aos pais do Camilo, pelos mesmos motivos, sendo o Camilo o filho e eu um agregado;
3. Ao pai do Camilo, mister Hernán, pelo apoio logístico à dupla (a esperar post mais detalhado);
4. Ao Piperito Josefino José e Lorens, pela ajuda com malas, caixas, bugigangas e burocracias bancárias;



De TPvM




De TPvM

5. Ao Cabrito coraçao de Jesus, pela mesma ajuda com malas, caixas, bugigangas e últimas coisas no apartamento;



De TPvM

6. À Camila Periguete, pela força imensa com todas as coisas que restaram no apto, contas a pagar e todas as outras milhoes de burocracias chatas do mundo real...



De TPvM

7. Ao Rafa Putain e Mara Peixeira Maravilha, pela força com  mudança, carretos e lugar para minhas estimadas roupas;



De TPvM

8. Ao Jonezinho querido, pela ajuda com a TV



De Chile

9. Ao Du e Lilian, pela força com os livros;



De TPvM

10. À toda a patota que compareceu na festa de despedida, por terem alegrado o ambiente já meio ébrio...



De TPvM

11. A todos os demais, pelas inúmeras outras coisas que fizeram por nós. A essas, nao poderia enumerá-los um a um porque sao muitos, mas mesmo assim fica aqui o nosso sincero agradecimento.


Mais uma vez valeu a todos. E, como diria o sábio da montanha: é nóis na fita e os praibói no dvd! S´embora que ainda falta quase um ano de viagem!


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Segundas zé-ruelices ou a primeira grande cagada da viagem

Era uma vez uma montanha. No alto dela não havia um sábio nem um guru místico. Tampouco havia uma loira gostosa à espera de incautos viajantes. O que havia no alto da montanha era só e tão-somente o alto da montanha e uma vista que dizem ser deslumbrante.


É o que dizem, porque não a vimos. Explico-me.


O alto da montanha estava lá. Seu cume, além de tudo o que ela pode proporcionar aos olhos, também engendra naquele que pretende alcançá-la uma série de pequenos e encadeados atos, os quais geralmente acabem terminando da mesma como foram semeados. Se com boas intenções, bem; se com más, mal.


Ei-nos, pois, em em uma cidadezinha introjetada no meio da Cordilheira dos Andes, cercada por montanhas áridas e desertos inóspitos.

El Pisco, no entanto, não tem nada de árido nem de inóspito. Está mais para um oásis em meio ao clima adverso do norte chileno. Terra que dá origem à tradicional bebida andina (sem entrar em conflitos diplomáticos entre peruanos e chilenos) e onde se come sorvete de colpao (espécie de cáctus).


Desembarcamos na praça central de El Pisco lá pelo meio-dia, depois de quase 3 horas de viagem num micro-ônibus duvidável, pouco espaçoso e ao som da mais tosca de todas as cumbias. Até o Camilo enveredou a reclamar, à la Magoo, da música. Senti-me não tão culpado.





Antes mesmo de pisar no chão, eu já vinha pensando, deslumbrado pelas belezas do Valle de Elqui e arredores, em mais uma viagem para fazer: percorrer o Chile de norte a sul pela cidades interioranas de bicicleta. Imagino que meu amigo Piper, se tiver tempo, poderá juntar-se a mim.


O trajeto do micro-ônibus por entre os verdes vales das montanhas da Cordilheira iam me dando ideias, fazendo-me pensar que às vezes é preciso fazer viagens mais instintivas, mais conectadas à natureza e mais ousadas. Ousar mais… Leio isso em tudo quanto é livro que leio sobre personagens viajantes.


Guimarães Rosa já dizia, e estava certo: viver é perigoso!


Isso não quer dizer, porém, que devemos ousar além das nossas capacidades. Jaz aí o erro trágico, ponto determinante em todas as tragédias gregas. É, pois, quando o personagem principal comete um erro crasso, o qual sobrepassa suas capacidades e vai além do alcance das duas mãos. Em outras palavras, é a famosa CA-GA-DA!


Com tudo isso vinha eu na cabeça quando descemos do ônibus. Mal pisei no chão, olhei para o lado e vi uma montanha enorme alçando-se sobre nós, mostrando sua majestada e, por que não, peitando-nos e enfrentando-nos. Não me senti ultrajado, mas sim incentivado. Pensei: por que não subir uma dessas montanhas, uma mais fácil, e vislumbrar lá de cima todo o vale?



Informamo-nos e logo após o almoço partimos, com um companheiro alemão, montanha acima.








Em tese, segundo o local semibrasileiro-gaudério com quem nos inteiramos, que a brados demonstrava seus conhecimentos de português, a subida era simples e não levaria mais que duas horas. Outras duas para descer.


Perfeito. Chegaríamos lá de cima a tempo de tomar o último ônibus do dia.


Sem mais, pernas para que te quero!


O início da subida já se mostrou cheio de agrados aos olhos. Plantas e vinhedos por todos os lados. O contraste do verde com o bege seco da montanha perfazia um conjunto digno de nota.





Meia hora depois do início da subida, sobrevêm-me novamente aqueles mesmos pensamentos de quando estava no micro-ônibus: viajar é aprofundar-se em si mesmo; viajar é conhecer-se; viajar é dar-se oportunidade para tanto.


É óbvio que quando pensei nisso tudo não esperava que as coisas fossem terminar como terminaram.


AVISO aos leitores, mamães e Hernán: não se preocupem, tudo terminou bem. Estamos vivos. O pior foi o susto (risos).


Imerso nesses pensamentos, vi de relance um caminho encosta acima. Parecia-me um caminho perfeito, além do mais que a montanha não parecia tão íngreme quanto era.


Lancei-me em direção ao morro e fui subindo. Pé ante pé, mão ante mão. Já logo nos primeiros cinco metros fui assaltado por um espinho de cáctus enorme, que se cravou pelo menos um quarto de dedo no meu calcanhar. Por sobre a meia. Não acreditei quando vi. Tinha mesmo me espetado fundo. Arranquei o espinho e continuei subindo, com um pouco de dor no calcanhar. Atrás e abaixo de mim vinham entusiasmados o Camilo e o amigo alemão.


Levado pela adrenalina que trekkings assim me dão, fui guiando todos sem pensar muito no depois. Confesso: o erro foi meu. Faço aqui a minha mea culpa. Camilo e o alemão, talvez porque me viram subindo empolgado, subiram sem comentar muito.


Quando estávamos pela metade, acomodei-me para descansar. Vi os dois alcançando-me metros abaixo. Aproveitei o ensejo para bater umas fotos. 








Nisso, o Camilo me ultrapassou e continuou subindo. Foi só ao guardar novamente a máquina e olhar para o alemão, que fungava de cansaço, que pensei na descida.


Caramba, como é que vamos descer daqui?


Olhei para os lados, para baixo e finalmente me dei conta de que não havia nenhum caminho ou trilha. Estávamos subindo a montanha na raça, qual os primeiros indígenas da região. É claro que não estamos falando do Monte Everest, mas também não estou falando do morrinho ali de casa, que custo a subir de bicicleta. De 1 a 10, era uma montanha nível 3, que, diante de amadores como nós, tornou-se um 7 ou 8.


Foi quando atinei para o fato inevitável de que aquele não era o tal caminho fácil de que nos falaram. Se não era, por algum motivo tinha que não ser. Pensei novamente: e como é que vamos descer daqui?


Fiquei preocupado. Um leve sopro de medo tocou meus cabelos e em seguida vieram à minha mente as recordações de quando me perdi no Caminho do Itupava com o Piper em plena calada da noite. Foi sem dúvidas o dia em que mais tive medo na minha vida. Hoje em dia lembramos daquele dia com sorrisos no rosto, mas sei que passamos um aperto descomunal. O maior aprendizado que tirei daquela experiência foi que a primeira coisa que se tem que fazer numa situação dessas é não perder o controle sobre si mesmo e não se deixar tomar pelo nervosismo.


Tratei, pois, de fazer isso.


O alemão, a essa altura, já tinha começado a descer, finalmente fazendo juz as raízes cautelosas de seus ensinamentos – que ele decidiu nao ouvir quando comecou a nos seguir.


O Camilo, por outro lado, tinha continuado a subir, a ponto que mal podíamos nos falar mesmo que gritássemos. Com dificuldade e somente quando o vento dava uma trégua, discutimos nossa situação.


Logo, entre sinais e gestos e encostado em uma pedra meio bamba, Camilo comentou que não estava encontrando caminho para descer, sendo mais fácil continuar subindo e tentar a descida por outro lado (o cume parecia estar perto). Senti, em sua voz e por ver o suor empapando o seu chapéu, que ele estava nervoso.


Eu tampouco não tinha muita certeza de que podia descer sem problemas, mas também sabia que se me preocupasse não ia chegar muito longe. Ou melhor, ia chegar mais rápido ao chão. Sei que ele pensaria que eu tinha mais experiência em montanhas, afinal comecei a subida a passo decidido e sem olhar para trás. O que não sei se é se isso é verdade. Igualmente o importante nessas horas é transparecer que sim, muito embora talvez não.





Chegamos a um acordo e decidimos empreender a baixada – atitude mais honrosa do que esperar o resgate dos bombeiros andinos e mais prudente do que continuar subindo sabe-se lá quantos metros mais. Assim, aos poucos e com as dicas que ia lembrando dos tempos de Itupava, fui guiando a descida. Devemos ter levado quase hora e meia para descer, entre arbustos, cáctus e espinhos diversos.


Pisar novamente no chão e não sentir mais que era a montanha que tinha as rédeas da situação foi um alívio…





Eu nos repetia, tanto porque pensava como porque queria aliviar o momento, a frase-sabedoria do Guimarães Rosa: viver é perigoso. Às vezes, deparar-se com o perigo faz-nos lembrar que estamos vivos.


A isso agradeço(cemos)...








Resultado final da aventura: mãos esfoliadas, roupa completamente encardida, pó e espinhos por tudo quanto é lado e a sola de sapato do meu tênis completamente perdida. Tive que jogá-lo no lixo.